Estratégia digital e investimento em audiovisual transformam lajes da comunidade em experiência viral
O uso estratégico de drones na Rocinha elevou em até 40% o faturamento da agência Betour entre o fim de 2025 e o início de 2026. O responsável pelo movimento é o guia Carlos Alberto Soares, conhecido como Betour, que estruturou um modelo de captação de vídeos panorâmicos nas lajes da comunidade e transformou a experiência em produto de alto valor agregado.
A proposta é simples: registrar turistas em vídeos imersivos com drone, explorando a vista privilegiada da comunidade. O formato viralizou nas redes sociais, gerando filas de até duas horas e atraindo clientes nacionais e internacionais. O serviço custa, em média, R$ 150 por pessoa.
Investimento de mais de R$ 100 mil em tecnologia
A operação envolve um portfólio robusto de equipamentos, incluindo drones como o DJI Avata 2, o DJI Air 3S e o DJI Mavic 4 Pro, além de câmeras profissionais e dispositivos 360º. O investimento total ultrapassa R$ 100 mil.
A profissionalização elevou o padrão das imagens e permitiu expansão da base de clientes. Durante o Carnaval de 2026, Betour foi contratado para produzir imagens oficiais para a Prefeitura do Rio de Janeiro, consolidando autoridade no segmento.
Modelo de negócio estruturado e comissionamento
O crescimento exigiu organização operacional. Atualmente, a agência conta com cinco colaboradores fixos e apoio de freelancers. Enquanto Betour opera os drones e conduz os grupos, sua esposa gerencia atendimento e faturamento.
O modelo envolve divisão de receita com proprietários das lajes, que recebem cerca de 10% por utilização do espaço. Após taxas de aplicativo e comissões, a margem líquida estimada do empreendedor varia entre 50% e 60%.
A operação também é integrada ao aplicativo Na Favela Turismo, que organiza fluxo de visitantes, horários e rotas, além de oferecer capacitação para guias locais.
A viralização como ativo estratégico
O perfil da Betour soma 188 mil seguidores. O investimento inicial em tráfego pago foi interrompido após os primeiros milhares de seguidores, com foco posterior em qualidade de edição e consistência de publicação.
O formato de vídeo se espalhou internacionalmente, com relatos de reprodução do modelo em outros países. A internet também reduziu a sazonalidade tradicional do turismo, mantendo alta demanda mesmo em meses historicamente mais fracos.
O que isso ensina sobre crescimento empresarial?
O caso demonstra três pilares estratégicos:
- Diferenciação por experiência, não apenas por serviço
- Investimento em tecnologia como vantagem competitiva
- Uso da viralização como motor de previsibilidade de demanda
Mais do que turismo, o modelo revela como pequenas operações podem escalar faturamento ao transformar um ativo local em produto digitalmente distribuído.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

