Negócios criados por alunos e alumni captaram R$ 8,4 milhões desde 2021, em 81 rodadas de investimento
O que as startups QI Tech, Conta Simples e Shopper têm em comum? Seus fundadores fazem parte da comunidade de ex-alunos do Insper, instituição de ensino superior localizada em São Paulo (SP).
De acordo com dados da instituição, 58 startups de base tecnológica criadas por alunos e alumni já captaram R$ 8,4 milhões desde 2021, distribuídos em 81 rodadas de investimento.
Hub estruturado para fomentar negócios
Para estimular a criação de empresas, o Insper criou, em 2020, um hub de inovação voltado ao desenvolvimento de produtos tecnológicos. No ano seguinte, a iniciativa foi integrada ao centro de empreendedorismo já existente na universidade, dando origem ao Hub de Inovação e Empreendedorismo Paulo Cunha.
A organização estruturou um portfólio de programas direcionados às diferentes etapas da jornada empreendedora, acompanhando desde a validação de ideias até a aceleração de startups em fase de crescimento.
Entre as iniciativas estão:
- Fellowship
- Bootcamp
- Startup Week
Os programas foram organizados a partir de 2022 para funcionar de maneira complementar, permitindo que empreendedores avancem conforme amadurecem suas soluções e estratégias.
Conexão com grandes empresas
Além do apoio às startups, o hub também atua junto a grandes companhias, auxiliando em desafios de inovação corporativa.
A partir de diagnósticos sobre temas como redefinição de inovação, estímulo à criatividade e transformação de ideias em projetos concretos, são indicadas metodologias e ferramentas adequadas a cada contexto, com o objetivo de acelerar a implementação de soluções.
Acesso e financiamento
Grande parte das iniciativas é voltada a alunos e ex-alunos. Em cada batch de aceleração, apenas uma vaga é aberta ao público externo, assim como a participação no prêmio de empreendedorismo Prêmio José Eduardo Ermírio de Moraes.
Segundo Rodrigo Amantea, head do hub, há conversas para ampliar o acesso aos programas, mas a expansão depende de estudos sobre financiamento. Atualmente, o Insper arca com os custos das atividades, cujo valor não foi divulgado.
Universidade empreendedora
Amantea destaca que a instituição mantém uma trilha de empreendedorismo na grade curricular há 12 anos.
“O conceito de universidade empreendedora volta a ganhar força no contexto contemporâneo justamente por representar uma terceira missão: não apenas ensino e pesquisa, mas também desenvolvimento econômico por meio da criação de novas tecnologias, patentes e empreendimentos”, afirma.
A proposta é apresentar o empreendedorismo como uma possibilidade concreta, oferecendo apoio metodológico e exemplos práticos. “Indicamos que, com disciplina e método, é possível. Olhamos para o retrovisor e mostramos o que deu certo”, diz.
Empreender não é o caminho da maioria
De acordo com o head do hub, a maior parte dos alunos ainda opta por carreiras tradicionais após a formatura. Muitos retornam posteriormente, após experiência no mercado, para iniciar seus próprios negócios.
Como exemplo, ele cita Rodrigo Tognini, fundador e CEO da Conta Simples, que manteve contato com a universidade após a graduação para mentorias e trocas sobre o desenvolvimento da empresa.
“Quantos terão essa resiliência e certeza sobre empreender em um momento de incerteza, com o mercado disputando esses talentos como estagiários? É uma escolha difícil”, afirma Amantea.
Rede de investidores-anjos
Além do hub, o Insper conta com uma comunidade de investidores-anjos fundada e gerida por alunos e ex-alunos, com estatuto, conselho e diretoria formados por estudantes e professores. A instituição também mantém relacionamento com outras redes de investimento-anjo.
“O principal desafio agora é ampliar a base de investidores. Ainda existe a percepção de que é preciso ter muito dinheiro para participar, o que não é verdade. Parte do nosso trabalho é ampliar o acesso e explicar como esse universo funciona”, conclui Amantea.

