Mês da Mulher: 47% das empreendedoras brasileiras têm quase toda a renda comprometida, aponta Serasa Experian

Emprendedorismo

Empreender no Brasil ainda significa lidar com margens financeiras apertadas — e esse cenário se torna ainda mais evidente entre as mulheres. Uma pesquisa realizada pela Serasa Experian revela que 47,3% das empreendedoras brasileiras comprometem entre 81% e 100% da renda mensal com despesas fixas e obrigações financeiras, o que reduz drasticamente a capacidade de lidar com imprevistos ou períodos de queda no faturamento.

De acordo com o levantamento, a “folga” financeira da maioria dessas empresárias é mínima. Mais da metade opera com capacidade mensal de apenas R$ 1 mil após o pagamento das despesas, enquanto 38,4% possuem renda total de até R$ 2 mil por mês. Em contrapartida, apenas cerca de 11% das empreendedoras superam a faixa de R$ 10 mil mensais.

Apesar do alto comprometimento da renda, o cenário não necessariamente indica inadimplência ou atraso em pagamentos. Segundo Giovana Giroto, CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, os dados refletem principalmente a parcela do orçamento destinada às obrigações financeiras.

“Quando o orçamento está mais apertado, a gestão de fluxo de caixa e o planejamento financeiro ganham ainda mais importância para garantir continuidade e estabilidade no longo prazo”, explica a executiva.

Empreendedorismo cresce com a maturidade

O estudo também revela um dado interessante sobre o perfil das mulheres que empreendem no país: a decisão costuma acontecer após um período maior de experiência profissional.

Entre as empreendedoras analisadas, 34,3% têm entre 49 e 65 anos. Em seguida aparecem as faixas de 39 a 48 anos (27,2%) e de 29 a 38 anos (23,5%). Apenas 14,8% das empresárias têm entre 18 e 28 anos.

Para Giroto, esse comportamento sugere que o empreendedorismo feminino muitas vezes surge como uma segunda etapa da carreira.

“Mulheres mais maduras costumam empreender após acumularem experiência técnica e redes de relacionamento, o que contribui para uma visão mais clara sobre riscos e oportunidades”, afirma.

Outro ponto importante apontado pela pesquisa é a mudança nas motivações para abrir um negócio próprio. Hoje, a flexibilidade de tempo aparece como o principal motivo para empreender, citada por 46% das entrevistadas, seguida pela busca por independência financeira.

Tecnologia e renda complementar ajudam na sobrevivência do negócio

Diante de margens financeiras apertadas, muitas empreendedoras recorrem à tecnologia e a modelos flexíveis de trabalho para manter o equilíbrio do orçamento.

Segundo o levantamento, 84% dessas mulheres realizam compras online e 32,6% utilizam bancos digitais para gerenciar suas finanças. Além disso, 64% buscam na chamada gig economy — como trabalhos por aplicativo — uma forma de complementar a renda ou compensar a sazonalidade do próprio negócio.

Para o mercado financeiro, esses dados também revelam uma oportunidade estratégica. Ao compreender melhor o perfil e o comportamento dessas empreendedoras, empresas podem desenvolver produtos financeiros mais alinhados às suas necessidades.

“Ao combinar perfil financeiro e comportamento de consumo, é possível desenhar ofertas de crédito mais relevantes, com comunicação no momento certo e condições alinhadas ao perfil do cliente”, explica Giroto.

Estudo analisou milhões de perfis no Brasil

A pesquisa foi realizada em fevereiro de 2026 por meio da plataforma Insights Hub, da Serasa Experian. A análise utilizou inteligência de dados para mapear mais de 188 milhões de CPFs — sem identificação individual e em conformidade com a LGPD.

A partir da segmentação Mosaic, foram identificadas cerca de 2,6 milhões de mulheres classificadas nos perfis de “empreendedoras emergentes” e “jovens empreendedoras”.

Segundo a executiva, o termo “emergente” não se refere apenas à renda, mas a um estágio de transição financeira, comportamental e de consumo.

“São perfis que estão em busca de maior estabilidade econômica e apresentam características específicas em termos de renda, estágio de vida e inserção no mercado”, conclui Giroto.

Neste Dia Internacional da Mulher, os dados ajudam a evidenciar um retrato importante do empreendedorismo feminino no país: mesmo enfrentando limitações financeiras significativas, milhões de mulheres seguem criando negócios, gerando renda e movimentando a economia brasileira.

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