Copom reduz Selic para 14,75%, mas sinaliza cautela e gera críticas

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano, em decisão unânime, marcando o primeiro corte desde maio de 2024. Apesar do movimento, a sinalização conservadora da autoridade monetária e o tamanho da redução geraram reações negativas no mercado e críticas de diferentes setores da economia.

A redução de 0,25 ponto percentual encerra um ciclo de cinco reuniões consecutivas sem alteração na taxa básica de juros. O movimento já era amplamente esperado por analistas, embora parte do mercado considerasse a possibilidade de manutenção da Selic em 15%, diante do cenário internacional mais instável.

Mesmo com o corte, o Brasil segue entre os países com juros reais mais elevados do mundo. Atualmente, o juro real brasileiro está em 9,51%, o segundo maior entre as principais economias globais, atrás apenas da Turquia. O indicador leva em consideração a taxa de juros descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses.

A decisão do Copom foi acompanhada por um tom cauteloso. O comitê evitou indicar o ritmo de novos cortes e destacou a necessidade de “serenidade” na condução da política monetária. Entre os fatores que justificam essa postura estão as incertezas no cenário internacional, especialmente as tensões no Oriente Médio, que têm pressionado o preço do petróleo e ampliado os riscos inflacionários.

No campo doméstico, a inflação apresentou sinais mistos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,7% em fevereiro, indicando aceleração no curto prazo. Ainda assim, o acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo do patamar de 4% pela primeira vez desde maio de 2024 e dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação.

Apesar desses dados, a avaliação de parte do setor produtivo é de que o corte foi insuficiente para estimular a economia. Entidades da indústria e do comércio criticaram o ritmo da redução, argumentando que o nível atual de juros continua elevado e limita investimentos, consumo e expansão das empresas.

A crítica também se estendeu ao ambiente político. Lideranças governamentais classificaram a decisão como tímida, destacando que o movimento não é suficiente para enfrentar o atual cenário de desaceleração econômica.

No mercado financeiro, a reação foi imediata. O Ibovespa iniciou o dia em queda, refletindo tanto a cautela do Copom quanto o aumento da aversão ao risco global. O cenário externo, marcado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela alta do petróleo, contribuiu para pressionar os ativos brasileiros.

Ao mesmo tempo, bancos centrais de economias desenvolvidas mantiveram suas taxas de juros. O Federal Reserve, nos Estados Unidos, sinalizou a possibilidade de novas elevações, enquanto autoridades monetárias da Europa optaram por preservar suas atuais políticas diante do ambiente de incerteza.

A combinação desses fatores reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Embora o início do ciclo de cortes represente um avanço, a condução cautelosa da política monetária indica que a trajetória de redução dos juros deve ocorrer de forma gradual, condicionada ao comportamento da inflação e à evolução do cenário internacional.

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