Transformar paixão em negócio pode parecer clichê, mas alguns empreendedores mostram que, quando há estratégia e execução, isso se torna um modelo sustentável. Em João Pessoa, na Paraíba, Vitor Freire construiu uma operação que une turismo, educação ambiental e experiência, transformando o mergulho em uma empresa que faturou cerca de R$ 900 mil em 2025.
A relação com o mar começou cedo. Criado no litoral, Freire teve no surf seu primeiro contato mais intenso com o oceano, mas foi durante a faculdade de Turismo que enxergou uma oportunidade mais estruturada. Ao desenvolver projetos ligados ao ecoturismo e à exploração de naufrágios, ele começou a conectar interesse pessoal com potencial de mercado, criando as bases para o que viria a se tornar seu negócio.
Antes de empreender, o caminho passou pela prática. Ainda estudante, atuou como guia turístico, conduzindo visitantes por piscinas naturais e passeios de buggy. Foi nesse período que também começou a treinar mergulho de forma improvisada, utilizando a piscina da casa da família. A experiência prática e o contato direto com turistas foram fundamentais para entender comportamento, demanda e, principalmente, construir networking.
O ponto de virada veio em 2014. Para tirar a ideia do papel, Freire vendeu o próprio buggy, que era sua principal fonte de renda, e investiu cerca de R$ 14 mil na compra dos primeiros equipamentos de mergulho. A operação começou pequena, mas com foco claro em experiência e qualidade. Com o crescimento da demanda, novos investimentos foram feitos, incluindo cerca de R$ 370 mil em embarcações para ampliar a capacidade de atendimento.
Hoje, a empresa opera com estrutura própria, equipe especializada e dezenas de equipamentos, atendendo desde iniciantes até alunos em formação profissional. Os chamados “batismos” funcionam como porta de entrada para novos clientes, enquanto cursos e passeios náuticos ampliam o ticket médio e a recorrência. Apenas no último ano, o negócio formou mais de 100 mergulhadores, consolidando sua atuação na região.
Com a operação estruturada, o próximo passo é expansão. O empreendedor já iniciou a criação de uma marca própria de roupas voltadas para o mergulho e planeja levar a empresa para novos mercados, incluindo experiências internacionais com viagens especializadas. Mais do que escalar o faturamento, a estratégia aponta para a construção de um ecossistema em torno da marca.
A trajetória reforça um ponto central do empreendedorismo: paixão abre portas, mas é a combinação com execução, visão de mercado e disposição para assumir riscos que sustenta o crescimento.
Fonte: PEGN

