Levantamento do Instituto Rede Mulher Empreendedora aponta alta escolaridade entre essas empreendedoras e fragilidade financeira de mães que tocam o negócio sem outro provedor em casa
Por Redação
Uma pesquisa nacional divulgada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) mostra que a maior parte das mulheres que empreendem no Brasil é também a principal, e muitas vezes única, provedora da casa. O levantamento, feito anualmente pela organização, reúne informações sobre trajetória, dificuldades e perfil desse grupo, que já representa parcela relevante dos pequenos negócios do país.
Segundo o estudo, mais da metade dessas mulheres não escolheu empreender por vocação ou espírito inovador: abriu o próprio negócio porque precisava, seja pela falta de vaga no mercado formal, seja pela necessidade de conciliar renda com o cuidado da família. Esse tipo de empreendedorismo, conhecido como empreendedorismo por necessidade, costuma nascer com menos planejamento e menos reserva financeira, o que deixa o negócio mais vulnerável nos primeiros anos.
A pesquisa também traz um dado que chama atenção: a grande maioria dessas empreendedoras afirma enfrentar mais obstáculos do que os homens no mesmo mercado. Entre as barreiras mais citadas estão a dificuldade de acesso a crédito, uma rede de contatos menor para fechar negócios e a sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado, que consome tempo que poderia ser dedicado a estruturar melhor a empresa.
Chama atenção também o contraste entre escolaridade e resultado financeiro. O levantamento mostra que essas mulheres têm, em média, alto nível de instrução, mas isso não se traduz automaticamente em negócios mais estruturados ou lucrativos. A explicação, segundo o instituto, passa justamente pela sobrecarga de tarefas de cuidado: mesmo com boa formação, sobra pouco tempo e energia para investir em gestão, planejamento financeiro ou expansão do negócio.
Outro ponto sensível do estudo é a situação das mães que empreendem sozinhas, sem outro adulto provedor em casa. Para esse grupo, o negócio não é só fonte de renda complementar, é o sustento inteiro da família. Qualquer oscilação de caixa, atraso de cliente ou imprevisto pessoal tem impacto direto e imediato no orçamento doméstico, o que aumenta a pressão e reduz a margem de erro na hora de tomar decisões sobre o negócio.
Para quem se identifica com esse cenário, alguns passos práticos ajudam a reduzir a fragilidade financeira. O primeiro é separar, de fato, a conta da empresa da conta pessoal, mesmo em negócios pequenos, para enxergar com clareza o que sobra depois de pagar os custos fixos. O segundo é buscar linhas de crédito voltadas especificamente a empreendedoras, muitas vezes com juros menores do que as linhas tradicionais, oferecidas por bancos públicos, cooperativas de crédito e programas do Sebrae em parceria com instituições financeiras.
Também vale procurar redes de apoio entre empreendedoras, presenciais ou online, que funcionam como espaço de troca de indicação, fornecedor e cliente, compensando em parte a rede de contatos menor apontada pela pesquisa. Cursos de gestão financeira básica, muitos deles gratuitos e oferecidos por entidades como o próprio Sebrae, ajudam a transformar escolaridade em ferramenta prática para o negócio, e não apenas em diploma guardado na gaveta.
Por fim, para quem sustenta a casa sozinha, especialistas recomendam manter uma reserva de emergência separada do capital de giro do negócio, por menor que seja no início. Esse colchão reduz o risco de que um problema pessoal, como uma doença ou uma despesa inesperada com os filhos, force o fechamento ou o endividamento do negócio. O dado da pesquisa reforça que, para uma parcela expressiva das empreendedoras brasileiras, planejamento financeiro deixou de ser recomendação e virou condição para manter casa e negócio de pé ao mesmo tempo.
Com informações de Rede Mulher Empreendedora.

