Só 1 em cada 3 MEIs sem apoio chega aos cinco anos, e o que fazer nos primeiros 12 meses

Empreendedorismo

Avaliação do Sebrae aponta que 65% dos MEIs com consultoria seguem abertos após cinco anos, contra 33,7% dos que ficaram sem orientação

Por Redação

Abrir um CNPJ ficou fácil. Mantê-lo de pé por cinco anos é outra história. De janeiro a agosto de 2026, o país registrou cerca de 3,93 milhões de novos pequenos negócios, alta de 14,3% sobre o mesmo período de 2025. Quando o assunto sai da abertura e chega à sobrevivência, o retrato muda, e o microempreendedor individual aparece na situação mais delicada.

O volume de aberturas é dominado por esse universo: MEI, microempresas e empresas de pequeno porte somam 96,6% das 4 milhões de empresas criadas no período. Ou seja, a maior parte da nova concorrência tem o mesmo tamanho e as mesmas dificuldades.

O número que pesa

Uma avaliação de impacto do Sebrae comparou empresas que receberam consultoria com empresas que ficaram sem esse apoio. Entre as atendidas, o risco de encerramento cai 68%. Após cinco anos, 77% delas seguem abertas, contra cerca de 55% das demais.

A diferença é maior entre os MEIs. Com apoio, 65% permanecem em atividade depois de cinco anos. Sem apoio, o índice é de 33,7%. Na prática, só cerca de um em cada três MEIs sem orientação chega ao quinto aniversário, enquanto quase dois em cada três dos que foram atendidos chegam lá.

Há uma ressalva necessária: o estudo foi feito pela própria instituição que oferece o serviço, e a comparação entre grupos não prova, sozinha, que a consultoria é a causa da sobrevivência. Ainda assim, o tamanho da distância indica que orientação de gestão nos primeiros anos faz diferença, e o dado ajuda o dono a decidir onde vale investir tempo e dinheiro.

Por que o MEI é o elo mais frágil

O MEI costuma ser, ao mesmo tempo, dono, vendedor, atendente e financeiro. Sem tempo para parar e olhar os números, as decisões viram palpite. Com mais gente abrindo negócio, a concorrência local também cresce, e disputar apenas por preço é um jogo que o pequeno raramente vence. Atendimento e marca passam a ser o que segura o cliente.

O que fazer nos primeiros 12 meses

Hábitos básicos de gestão, do tipo que uma consultoria costuma cobrar, cabem em um calendário simples.

Meses 1 a 3: separar e registrar. Conta pessoal e conta da empresa não se misturam. Toda entrada e toda saída vai para um registro, mesmo que seja uma planilha. Sem isso, não há como saber se o negócio dá lucro ou se apenas movimenta dinheiro.

Meses 4 a 6: precificar e olhar o cliente. Com alguns meses de registro, dá para calcular quanto custa entregar cada produto ou serviço e conferir se o preço cobre esse custo e ainda deixa margem. É também o momento de entender quem compra, por que volta e o que o atendimento pode fazer para diferenciar o negócio.

Meses 7 a 9: formar reserva e tratar crédito com cautela. Um colchão de caixa evita que um mês fraco vire dívida. Se o empréstimo entrar na conta, o cuidado é simular o custo total antes de assinar. Em linhas como o Pronampe, a carência mais longa alivia o fluxo de caixa no começo, mas os juros continuam correndo durante esse período, e o alívio não reduz o custo final da dívida. As regras vigentes devem ser conferidas no gov.br.

Meses 10 a 12: organizar a casa e buscar orientação. Cadastro de clientes, financeiro atualizado e processos anotados são pré-requisito de qualquer ferramenta nova, inclusive de inteligência artificial: com dados bagunçados, a tecnologia só acelera o erro. Fechado o primeiro ano, é hora de procurar apoio de forma ativa, seja consultoria, curso, contador ou atendimento de entidades de apoio ao pequeno negócio, levando uma lista de perguntas nascida dos números do próprio ano.

Por onde começar

O ponto de partida não exige verba. Abrir uma planilha hoje, separar as contas e marcar uma conversa com quem entende de gestão já coloca o negócio do lado favorável da estatística. O levantamento mostra que sobreviver não é questão de sorte: o primeiro ano, bem usado, ajuda a definir de que lado da conta o MEI vai ficar.

Com informações de Boletim Trends CE e Sobral em Revista, com dados do Sebrae.

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