Setor foi o principal motor da economia brasileira em 2025, impulsionado por safra recorde, exportações históricas e avanço da pecuária.
A agropecuária foi o grande destaque da economia brasileira em 2025. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor avançou 11,7% em relação a 2024 e foi o principal responsável pelo crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no período.

O desempenho superou com folga os demais segmentos da economia. No mesmo intervalo, a indústria cresceu 1,4%, enquanto o setor de serviços registrou alta de 1,8%. Entre os grandes grupos econômicos, o agro apresentou o melhor resultado percentual do ano.
De acordo com Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, atividades ligadas ao agro, às indústrias extrativas, informação e comunicação e outros serviços representaram 72% do PIB brasileiro em 2025 — evidenciando a relevância estrutural desses segmentos na economia nacional.
Safras recordes e produtividade impulsionaram o avanço
O crescimento do agro foi sustentado por uma combinação estratégica de fatores: condições climáticas favoráveis, redução nos custos de produção e ganhos de produtividade.
Em 2025, o Brasil registrou a maior safra de grãos da história: 350,2 milhões de toneladas. O milho apresentou crescimento de 23,6%, enquanto a soja avançou 14,6% na comparação anual.
O impacto foi direto nas exportações. A soja bateu recorde de embarques, atingindo 108,2 milhões de toneladas — alta de 9,5% em relação ao ano anterior. Parte desse avanço está relacionada ao redirecionamento da demanda chinesa, em meio às tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que ampliaram o espaço do Brasil no mercado internacional.
Pecuária atinge marcas históricas
A pecuária também apresentou números expressivos. O Brasil se consolidou como o maior produtor mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos pela primeira vez.
As exportações do setor atingiram 3,50 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 20,9% frente a 2024. O número de abates chegou a 42,3 milhões de cabeças — outro recorde histórico.
Mesmo com o chamado “tarifaço” norte-americano, a demanda chinesa sustentou o desempenho das exportações brasileiras.
Peso no PIB ainda é limitado
Apesar do forte crescimento, a agropecuária representa 7,1% do PIB brasileiro, percentual inferior ao de serviços (69,5%) e indústria (23,4%).
Isso ocorre porque o cálculo do IBGE considera apenas as atividades primárias do setor, como plantio e criação de animais. Quando se inclui toda a cadeia produtiva — comércio, indústria e serviços associados — a participação sobe para 23%, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O que esperar de 2026?
Após um ano de recordes, a tendência para 2026 é de desaceleração. O núcleo de Contas Nacionais do Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) projeta leve retração de 0,2%, cenário considerado de estabilidade.
A pecuária entra em fase de redução de abates, com produtores retendo mais fêmeas para recomposição do rebanho. No campo dos grãos, as previsões indicam desaceleração: a soja deve crescer 3,9% e o milho pode recuar 5,6%.
Por outro lado, analistas da consultoria Hedgepoint avaliam que o setor pode ampliar sua participação no PIB, impulsionado pela continuidade do crescimento das exportações e pela manutenção de volumes elevados de produção.
Fonte: G1

