Amigos que ajudavam brasileiros nos EUA criam agência de intercâmbio e faturam R$ 12,6 milhões

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O que começou como uma rede informal de apoio entre brasileiros na Califórnia se transformou em um negócio milionário. Os amigos Daniel Lara e Gabriel Grisa fundaram a CaliCultural, agência de intercâmbio que hoje leva centenas de estudantes ao exterior e registrou faturamento de R$ 12,6 milhões em 2025.

A história começou em 2009, quando Lara chegou a San Diego para fazer uma pós-graduação. Sem moradia fixa, ele foi apresentado a Grisa, conhecido por ajudar brasileiros recém-chegados à região. A amizade se transformou em parceria quando perceberam que aquele suporte poderia virar um serviço estruturado.

Negócio nasceu com investimento mínimo

A empresa foi criada com apenas R$ 1 mil de investimento inicial, sendo R$ 500 de cada sócio. O valor foi usado para abrir o CNPJ, criar um site e estruturar um e-mail institucional.

No início, Lara conciliava o atendimento aos clientes da agência com o trabalho em um hotel em São Paulo, usando intervalos da rotina para desenvolver o negócio.

A estratégia da dupla era clara: democratizar o acesso ao intercâmbio. Para isso, eles buscaram parcerias com escolas nos Estados Unidos e passaram a oferecer cursos por cerca de um terço do valor praticado no mercado.

Credibilidade foi desafio no começo

Nos primeiros meses, conquistar a confiança das famílias foi um dos principais desafios. Muitos pais desconfiavam da empresa.

Para contornar a situação, quatro meses após a fundação, os sócios abriram um escritório físico no centro de Santos, em uma sala cedida pelo pai de Lara.

A estratégia funcionou. Segundo os fundadores, houve clientes que viajaram de outras cidades apenas para confirmar que o escritório realmente existia.

Crescimento impulsionado pelo boca a boca

Ao longo dos anos, o crescimento da agência foi sustentado principalmente pela confiança dos clientes. De acordo com Lara, cerca de 90% do faturamento vem de indicações.

Em muitos períodos, a empresa chega a operar sem investimento em tráfego pago, apoiando sua expansão na recomendação de famílias e alunos que já participaram de programas de intercâmbio.

Mudança de estratégia ampliou resultados

Em 2023, os fundadores perceberam uma queda na procura por cursos de idioma e decidiram reposicionar o negócio. A agência passou a focar em programas de High School no exterior e em processos de aplicação universitária internacional.

Outro movimento estratégico foi a criação do CaliBreak, um modelo próprio de Summer Camp para adolescentes de 14 e 15 anos. Diferente de muitas agências, a equipe acompanha os estudantes presencialmente durante toda a viagem e compartilha fotos e vídeos em tempo real com os pais por grupos de WhatsApp.

Estrutura e faturamento

Hoje, a agência leva mais de 500 alunos por ano para destinos como Estados Unidos, Malta, Nova Zelândia e Canadá.

A operação conta com 10 colaboradores, distribuídos entre áreas de vendas, consultoria, matrículas, vistos, passagens aéreas e pós-venda.

Entre os principais produtos da empresa, os tíquetes médios são:

  • Summer Camp (CaliBreak): R$ 34 mil
  • High School: média de R$ 70 mil, podendo chegar a R$ 250 mil
  • Faculdade no exterior: US$ 20 mil por ano
  • Cursos de curta duração: R$ 14 mil

Estratégia comercial fora do digital

Em vez de focar apenas no marketing digital, a empresa investe em presença física em escolas particulares e na realização de feiras de intercâmbio.

O modelo é diferente do praticado por muitas agências: a CaliCultural organiza eventos diretamente dentro das escolas parceiras sem cobrar das instituições, priorizando o contato direto com estudantes e famílias.

Planos de expansão

Os resultados refletem a estratégia adotada. A empresa registrou crescimento superior a 30% no último ano, com média de 40 a 45 novos contratos por mês.

Para 2026, a expectativa é crescer 25% e alcançar R$ 17 milhões em faturamento, impulsionada por parcerias com instituições de ensino como a Maple Bear.

Além disso, Grisa atualmente está em Milão, na Itália, onde a empresa estuda abrir uma nova unidade voltada ao mercado europeu e ao atendimento B2B para outras agências.

Mesmo com o crescimento do atendimento online, os fundadores afirmam que o escritório físico continua sendo um diferencial importante para aumentar a confiança dos clientes. Por isso, a empresa já planeja abrir uma nova unidade presencial até 2027.

Fonte: PEGN

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