Mercados globais reagem a nova tarifa de 15% e incertezas no setor de software; investidores aguardam balanço da Nvidia
Os mercados globais reagiram com cautela ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar tarifas globais de 10% para 15%. A medida reacendeu preocupações sobre inflação e desaceleração do crescimento, pressionando os principais índices em Nova York.
O Dow Jones Industrial Average, o S&P 500 e o Nasdaq Composite fecharam em queda, refletindo aversão a risco e realização de lucros após semanas de forte valorização.
A decisão ocorre meses depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos anular a maior parte das tarifas impostas anteriormente, ao considerar inadequado o uso de uma lei de emergência. Agora, Trump anunciou uma nova tarifa global de 15%, com duração estimada de até cinco meses, amparada por outro dispositivo legal.
Analistas avaliam que o mercado precifica não apenas o impacto direto das tarifas, mas também a sinalização política de endurecimento comercial.
Bancos e software lideram perdas
Entre os destaques negativos estiveram grandes instituições financeiras como Citigroup, JPMorgan Chase e Morgan Stanley, pressionadas pelo aumento da incerteza macroeconômica.
No setor de tecnologia, empresas de software como Datadog, CrowdStrike e IBM registraram quedas expressivas.
O segmento foi impactado por temores relacionados ao avanço da inteligência artificial e por um relatório da Citrini Research que levantou dúvidas sobre o ritmo de monetização da tecnologia no setor.
Companhias aéreas como Delta Air Lines, United Airlines e American Airlines também recuaram, assim como empresas ligadas a criptoativos, incluindo Coinbase.
IA divide mercado entre cautela e otimismo
Apesar da pressão sobre o setor de software, o entusiasmo estrutural com a inteligência artificial permanece. A Capital Economics avalia que a tecnologia tende a beneficiar múltiplos setores no médio prazo.
No campo corporativo, a Advanced Micro Devices e a Meta Platforms registraram altas após anunciarem acordo plurianual estimado em US$ 100 bilhões para fornecimento de chips voltados a aplicações de IA.
Já a Nvidia avançou 0,91% no pregão, com investidores posicionados para a divulgação de seu balanço trimestral, considerado um termômetro crucial para o apetite por ativos ligados à inteligência artificial.
Mercado em compasso de espera
O movimento reflete um momento de transição: entre a retomada do protecionismo comercial e a expectativa de que a inteligência artificial continue sustentando ganhos corporativos.
Com a agenda de resultados e desdobramentos políticos no radar, investidores mantêm postura seletiva, atentos aos sinais sobre inflação, juros e impacto das tarifas no crescimento global.
Fonte: DailyJournal

