Ela começou como analista — hoje é CEO e quer triplicar a receita

Noticias

A trajetória de crescimento da Teros acompanha uma mudança profunda no próprio modelo de negócio — e também na liderança da empresa. Sob o comando de Lígia Lopes, a fintech agora aposta em hiperautomação para escalar resultados e pretende triplicar sua receita em 2026.

Depois de registrar um crescimento de 130% na base de clientes em 2025, a companhia iniciou uma nova fase: deixar de ser apenas uma fornecedora de análises para se tornar uma executora de decisões dentro da operação dos clientes.

Esse reposicionamento marca uma virada estratégica — tanto para o produto quanto para o papel da tecnologia financeira no dia a dia das empresas.

De analista à liderança: uma trajetória alinhada à transformação

Economista de formação, Lígia Lopes entrou na Teros quando a empresa ainda dava seus primeiros passos, com uma equipe enxuta formada por apenas três pessoas. Desde então, acompanhou — e ajudou a construir — toda a estrutura de inteligência da companhia.

Ao longo dos anos, passou por diferentes funções até assumir a posição de CEO, em um movimento que aconteceu junto à transição da empresa para um modelo mais orientado a produto e escalabilidade.

Essa evolução interna reflete diretamente a mudança externa da empresa: sair de um modelo consultivo para uma solução tecnológica integrada.

O limite da consultoria e o nascimento da plataforma

Nos primeiros anos, a Teros operava como uma consultoria especializada, desenvolvendo modelos e análises sob medida para seus clientes. O problema é que, sem integração com os sistemas das empresas, esses modelos perdiam eficiência com o tempo.

Na prática, as decisões geradas não acompanhavam a dinâmica real da operação.

Foi esse gargalo que motivou a virada estratégica. A partir de 2019, a empresa passou a investir na construção de uma plataforma própria, capaz de conectar dados, algoritmos e execução em um único fluxo.

Ao todo, foram mais de R$ 20 milhões investidos nessa transformação — um movimento que exigiu a criação de novas áreas, como engenharia e integração, além de pressionar os custos no curto prazo, que chegaram a dobrar em relação ao planejado.

O que a Teros vende hoje: decisão, não só análise

Com a evolução do produto, a empresa estruturou sua oferta na chamada Jornada de Decisão Financeira, que integra três pilares principais:

  • Cadastro Inteligente
  • Motor de Decisão
  • Pricing

A proposta é simples — mas poderosa: eliminar a fragmentação dos sistemas financeiros.

Hoje, em muitas instituições, etapas como cadastro, análise de risco e definição de taxas ainda acontecem de forma separada, o que torna o processo mais lento e menos eficiente.

A Teros resolve esse problema conectando tudo em um único fluxo. Na prática, isso permite analisar dados, tomar decisões e definir condições quase em tempo real — e com base no contexto específico de cada cliente.

Com o uso de inteligência artificial, a plataforma ainda adapta automaticamente a jornada do usuário e otimiza decisões ao longo de todo o processo.

Produtividade em escala e crescimento acelerado

Os impactos já começaram a aparecer. Segundo a empresa, a produtividade média triplicou em 2025 e a expectativa é que cresça entre quatro e seis vezes ao longo de 2026.

Além disso, a velocidade de entrega pode atingir até cinco vezes o nível atual — um fator decisivo para empresas que operam em mercados altamente competitivos.

Regulação como oportunidade de crescimento

Outro fator que impulsiona essa nova fase da Teros é o avanço da regulação no setor financeiro, liderado pelo Banco Central.

As exigências mais rigorosas em áreas como controle, auditoria e prevenção a fraudes têm aumentado a complexidade operacional das empresas — e, consequentemente, a necessidade de sistemas integrados.

Para muitas instituições, o desafio está justamente na falta de conexão entre áreas como cadastro, risco e compliance.

É nesse cenário que a Teros se posiciona. Ao automatizar e integrar esses processos, a empresa não apenas reduz custos operacionais, mas também ajuda seus clientes a se adequarem às novas exigências regulatórias.

Com isso, a fintech estima ampliar seu mercado endereçável em mais de 10 vezes a partir de 2026.

Fonte: Exame

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *