Erro de R$ 4 milhões virou lição de gestão

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Um erro milionário pode destruir uma carreira dentro de uma empresa. Mas, em alguns casos, ele acaba se transformando em uma das maiores lições de liderança e gestão.

Foi exatamente isso que aconteceu com Alex Levin. Em 2020, quando atuava como vice-presidente sênior da plataforma de serviços domésticos Handy, o executivo cometeu uma falha que gerou um gasto inesperado de US$ 800 mil — cerca de R$ 4,1 milhões na cotação atual — em uma campanha de marketing digital.

A empresa estava lançando um novo serviço de reparos domésticos e havia definido um orçamento de US$ 1 milhão para a campanha. No entanto, em meio à pressão do lançamento e aos prazos apertados, Levin esqueceu de configurar um limite diário de gastos nos anúncios do Google. O resultado foi o consumo de quase toda a verba em apenas um mês, com retorno muito abaixo do esperado.

“Quando percebi o que tinha acontecido, já era tarde. Eu me senti extremamente culpado e pensei que poderia ser demitido”, relembra o executivo. Ainda assim, ele decidiu agir de forma direta e contar imediatamente o ocorrido à liderança da empresa.

Para sua surpresa, a reação foi muito diferente do que ele imaginava. O fundador da Handy optou por tratar o episódio como um aprendizado. No fim das contas, a empresa conseguiu superar a meta da campanha — embora o lucro pudesse ter sido maior sem o erro.

Segundo Levin, a postura do chefe foi decisiva para moldar sua visão de liderança.

“Meu chefe investiu mais na minha educação por causa daquele erro do que meus pais jamais investiram”, afirma.

Hoje, Levin é cofundador e CEO da Regal, empresa sediada em Nova York que desenvolve soluções de inteligência artificial voltadas para experiência do cliente. E foi justamente aquele episódio que ajudou a definir a cultura da empresa.

Na Regal, ele incentiva que os colaboradores comuniquem rapidamente qualquer problema ou falha. Para o executivo, esconder erros apenas amplia o prejuízo.

“Sempre digo à equipe: quero más notícias o quanto antes. Boas notícias podem esperar. O importante é identificar o erro rapidamente para que ele não continue acontecendo”, explica.

Outro princípio adotado por Levin é compreender que erros são inevitáveis quando equipes estão explorando novas soluções. Na visão do CEO, a forma como líderes reagem a essas falhas determina o quanto as equipes se sentirão seguras para inovar.

Por outro lado, ele também acredita que aprendizado precisa vir acompanhado de responsabilidade. Repetir o mesmo erro diversas vezes pode tornar uma organização ineficiente.

Como consequência daquela experiência no passado, a Regal adotou políticas rigorosas para controle de orçamento em projetos e campanhas. Sempre que um novo recurso ou produto é lançado, a equipe define limites claros de gastos logo no início do processo.

Mesmo assim, imprevistos ainda acontecem. Recentemente, durante uma demonstração de produto para um potencial cliente, o sistema da empresa simplesmente parou de funcionar. Após investigar o problema, a equipe descobriu que o limite de gastos da infraestrutura havia sido atingido, travando a operação durante a apresentação.

Para Levin, episódios como esse reforçam uma regra simples de gestão: o objetivo não deve ser encontrar culpados, mas melhorar os processos.

“Erros vão acontecer. O mais importante é corrigi-los rapidamente e seguir em frente”, conclui.

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O caso de Alex Levin traz um aprendizado importante para qualquer empreendedor ou gestor: a forma como uma liderança reage a um erro pode definir a cultura inteira de uma empresa.

Ambientes onde falhas são punidas de forma imediata e rígida costumam gerar equipes defensivas. Nessas situações, profissionais tendem a esconder problemas ou evitar tomar decisões que envolvam risco — o que acaba travando inovação e crescimento.

Por outro lado, ignorar erros também não é uma solução. Organizações eficientes transformam falhas em aprendizado estruturado: criam processos, limites e sistemas que evitam que o mesmo problema aconteça novamente.

No fim das contas, o que diferencia empresas maduras não é a ausência de erros — mas a velocidade com que elas conseguem aprender com eles.

Fonte: PEGN

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