Família vende casa para investir no negócio e constrói grupo que projeta R$ 500 milhões

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Fundada por Weverton Coelho, a Hospcom cresce com atuação internacional, aposta em inteligência artificial e formação técnica para sustentar meta de R$ 1 bilhão até 2028

O empreendedorismo costuma exigir decisões difíceis — e, em alguns casos, irreversíveis. Em 2005, Weverton Luiz Coelho enfrentou uma dessas escolhas ao vender o único imóvel da família para investir no próprio negócio. À época, o capital de R$ 74 mil foi direcionado à compra de mostruários e à expansão de uma operação ainda embrionária no setor de manutenção de equipamentos médicos.

A empresa havia sido fundada dois anos antes, em Goiânia (GO), com estrutura simples e foco técnico. No entanto, a percepção de oportunidades comerciais no segmento de saúde levou o empreendedor a reposicionar sua atuação. O movimento marcou o início de uma trajetória que, mais de duas décadas depois, transformaria o negócio em um grupo empresarial com presença internacional.

O crescimento ganhou escala em 2009, quando a empresa estruturou uma operação de crédito de R$ 3 milhões para capital de giro, com apoio de fornecedores chineses e de uma instituição financeira. A estratégia permitiu ampliar o portfólio e fortalecer a operação comercial, consolidando a base para expansão nos anos seguintes.

Atualmente, a Hospcom atua como uma holding com presença nos setores médico-hospitalar, educação, tecnologia, inovação, veterinária e gastronomia. Com operações no Brasil e na Colômbia, o grupo projeta faturamento de R$ 500 milhões em 2026 — um crescimento de 40% em relação ao ano anterior.

A nova fase da empresa é liderada pela segunda geração. Gabriel Alencar Coelho, de 31 anos, assumiu como CEO em 2025, enquanto o fundador passou a presidir o Conselho de Administração. A transição foi construída ao longo dos anos, com os filhos participando ativamente da operação desde cedo.

Ainda adolescente, Gabriel desenvolveu internamente o primeiro sistema de CRM da empresa, reduzindo custos em um momento crítico. Seus irmãos também assumiram responsabilidades estratégicas precocemente. Daniel Coelho liderou a área financeira ainda jovem, enquanto Bárbara Coelho conduziu o primeiro movimento de diversificação do grupo ao inaugurar um restaurante japonês em Goiânia.

Segundo Weverton, a estruturação de governança foi essencial para sustentar o crescimento e garantir a continuidade do negócio familiar. A formalização da holding e a inclusão dos filhos como sócios contribuíram para a retenção de talentos e a criação de novas verticais de atuação.

Entre os investimentos recentes, o grupo aposta no desenvolvimento de soluções em inteligência artificial voltadas à área médica, como a plataforma Dra. MI.A, além da criação de centros de treinamento em cirurgia robótica. A estratégia combina tecnologia e educação como pilares de crescimento.

A diversificação também avança no setor de gastronomia, com a expansão do restaurante Izu e o lançamento de um reality show digital voltado à culinária japonesa. A iniciativa busca fortalecer a marca e apoiar o plano de expansão da rede, que pretende atingir 100 unidades nos próximos anos.

Com metas ambiciosas, a Hospcom pretende alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2028 e ampliar sua presença na América Latina. Para o fundador, no entanto, o objetivo vai além dos números.

Empreender, segundo ele, envolve construir algo que permaneça. E, nesse caso, o legado já começou a ser desenhado dentro de casa.

Fonte: PEGN

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