Ibovespa supera 190 mil pontos pela 1ª vez e dólar cai a R$ 5,17

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Decisão da Suprema Corte dos EUA contra tarifas de Trump impulsiona Vale, bancos e fortalece o real

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (20) em alta de 1,06%, aos 190.534,42 pontos, superando pela primeira vez na história o patamar simbólico dos 190 mil pontos. No pico do pregão, o índice chegou a 190.726,78 pontos, estabelecendo também novo recorde intradiário. Este é o 12º fechamento histórico do indicador em 2026.

O movimento foi puxado principalmente pelas ações da Vale e pelos grandes bancos, em um ambiente externo mais favorável ao risco. Na semana encurtada pelo Carnaval, o principal índice da B3 acumulou alta de 2,18%, com volume financeiro de R$ 36,16 bilhões apenas nesta sessão.

No câmbio, o dólar à vista caiu 0,99%, fechando a R$ 5,1766 — menor nível de encerramento desde maio de 2024. Na semana, a moeda norte-americana acumulou queda de 1,03% e, no ano, já recua 5,69%.

Decisão nos EUA reduz incerteza tarifária

O principal catalisador do movimento foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegal a imposição unilateral de tarifas globais pelo presidente Donald Trump.

Por 6 votos a 3, o tribunal entendeu que o presidente excedeu os limites legais ao aplicar tarifas amplas sem autorização explícita do Congresso. A decisão representa uma derrota relevante para a Casa Branca em um tema central da agenda econômica e comercial americana.

Apesar de o tribunal não ter definido o destino dos mais de US$ 130 bilhões já arrecadados com as tarifas, o entendimento jurídico reduziu a percepção de risco sobre o avanço do protecionismo estrutural nos Estados Unidos.

Reposicionamento global favorece o Brasil

Para economistas, o fim das tarifas nos moldes anunciados anteriormente desencadeia um movimento de realocação de capital internacional. A redução do risco comercial global tende a favorecer economias emergentes com ativos descontados — caso do Brasil.

Segundo André Valério, economista sênior do Inter, a decisão reforça o reposicionamento de portfólios estrangeiros, impulsionando bolsa e real. Ele alerta, porém, que o cenário ainda pode gerar volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo americano.

Marco Tulli Siqueira, da Necton/BTG Pactual, destaca que o efeito positivo foi amplificado por zeragem de posições vendidas na B3 após o rali recente. Já Bruno Perri, da Forum Investimentos, avalia que a substituição das tarifas abrangentes por uma taxa temporária de 10% reduz o impacto estrutural sobre a competitividade brasileira, uma vez que a medida passa a valer de forma equânime para os países.

Dados dos EUA mantêm radar sobre o Fed

No campo macroeconômico, o PIB dos Estados Unidos cresceu 1,4% no quarto trimestre de 2025, abaixo da expectativa de 3%. Já o índice PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 0,4% em dezembro, ligeiramente acima da previsão.

Mesmo com os números mais moderados, o mercado pouco alterou suas apostas para a política monetária americana. Contratos futuros indicam cerca de 57% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho.

Fonte: CNN

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