Estudo da Hotmart aponta que tecnologia movimentou mais de R$ 140 milhões em produtos educacionais sobre IA em 2025 e passou a estruturar vendas, cobrança e atendimento
A inteligência artificial deixou de ser ferramenta complementar e passou a ocupar posição central na economia dos criadores digitais. É o que mostra o estudo “O Impacto da Inteligência Artificial na Creator Economy”, divulgado pela Hotmart, que aponta a consolidação da tecnologia como infraestrutura de negócios digitais.
Segundo o levantamento, apenas em 2025, produtos digitais voltados ao ensino de IA movimentaram mais de R$ 140 milhões na plataforma. Em dois anos, o crescimento acumulado foi de 700%. O dado indica que a tecnologia não apenas influencia o mercado, mas passou a gerar novas frentes diretas de receita.
Ao analisar o movimento recente, observa-se como a inteligência artificial redefine monetização na Creator Economy ao atuar simultaneamente em três frentes: como tema de ensino, como produto comercializável e como estrutura que sustenta vendas, cobrança e atendimento automatizado.
Novo mercado de capacitação cresce acima de 300%
A expansão da oferta acompanha o aumento da demanda. Em 2025, mais de 340 mil compradores adquiriram cursos e soluções relacionadas à inteligência artificial na plataforma, número que representa alta de 326% desde 2023.
No mesmo período, cerca de 4 mil empreendedores passaram a ensinar IA, crescimento de 260%. O interesse é impulsionado por profissionais que buscam aumento de produtividade, diferenciação curricular e aplicação prática no ambiente de trabalho.
Dados reunidos no estudo indicam que 66% da população global já utiliza ferramentas de inteligência artificial, mas apenas 39% receberam treinamento formal nas empresas. No Brasil, 93% afirmam usar esse tipo de tecnologia, embora muitos reconheçam não dominar plenamente o conceito.
Agentes de IA passam a ser vendidos como produto
Um dos movimentos mais recentes é a comercialização de agentes de IA treinados com o método específico de cada produtor. Esses agentes interagem com alunos, executam tarefas e auxiliam na aplicação prática do conteúdo.
Nos dois primeiros meses após o lançamento do formato, quase 30 mil pessoas adquiriram um agente de IA, gerando cerca de 400 mil interações na plataforma.
Entre os exemplos citados está a agente SofIA, desenvolvida para apoiar a produção de roteiros de vídeo. A ferramenta superou 42 mil interações logo após o lançamento, dentro de campanha promocional.
O modelo sinaliza mudança estrutural: o produto digital deixa de apenas ensinar e passa também a executar.
Bastidores comerciais são automatizados
Além da criação de novos produtos, a inteligência artificial passou a operar etapas estratégicas da jornada comercial.
O Agente de Vendas conversa automaticamente com usuários que abandonam o carrinho e negocia condições de pagamento via WhatsApp. Em quatro meses, a ferramenta recuperou R$ 16,6 milhões em vendas, convertendo, em média, um a cada oito carrinhos abandonados.
Já o Agente de Cobrança envia lembretes antes do vencimento e conduz negociações após atrasos. Entre abril e novembro de 2025, a solução preservou mais de R$ 220 milhões em receitas e auxiliou 11 mil empreendedores na regularização de pagamentos.
No pós-venda, o Tutor com IA responde dúvidas 24 horas por dia com base no conteúdo do curso. Segundo a empresa, o volume de perguntas direcionadas ao produtor pode cair até 50%, ampliando retenção e engajamento dos alunos.
Automação, escala e personalização lideram crescimento
Entre as categorias de maior expansão estão:
- automação de tarefas e processos;
- criação de conteúdo em escala;
- organização de estudos e aprendizado personalizado.
A evolução também pode ser observada ao longo dos últimos anos. Em 2023, a inteligência artificial impulsionou produtividade na criação de páginas e campanhas. Em 2024, reforçou o suporte ao aluno. Em 2025, passou a estruturar vendas, cobrança e novos formatos de monetização.
Nesse contexto, a inteligência artificial redefine monetização na Creator Economy ao reduzir custos operacionais e ampliar a capacidade de escala dos produtores digitais.
Para a Hotmart, trata-se da maior transformação no setor desde a popularização do vídeo online. O desafio, agora, é integrar a tecnologia aos métodos individuais de cada criador sem comprometer identidade e conexão com o público.
Fonte: G1

