Negócios de joias e semijoias adaptam estratégias para enfrentar alta do ouro e da prata

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Empresas que atuam no mercado de joias e semijoias vêm adotando diferentes estratégias para lidar com as oscilações recentes nos preços do ouro e da prata. Para empreendedores que dependem diretamente desses insumos, a volatilidade das cotações tem pressionado os custos de produção e exigido ajustes no portfólio, na gestão de estoques e até nos materiais utilizados nas peças.

Nos últimos 12 meses, a valorização dos metais foi expressiva. A prata acumulou alta de cerca de 201% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, considerando dados da bolsa de Nova York. No mesmo período, o ouro registrou valorização de 71,3%.

Segundo a economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas, a variação nos preços dos metais preciosos está ligada a diversos fatores globais. De acordo com ela, ouro e prata são tradicionalmente vistos como ativos de proteção em momentos de instabilidade econômica e geopolítica.

“Quando há incerteza no cenário internacional, investidores e bancos centrais tendem a aumentar suas reservas nesses ativos”, explica a economista.

Pressão nos custos desafia o setor

Para empresas que trabalham diretamente com metais preciosos, a valorização representa um desafio imediato: o aumento dos custos de produção.

Na rede de franquias Mapa da Mina Acessórios, o sócio-diretor Marcos Pertile descreve a situação como um verdadeiro “malabarismo” financeiro.

Segundo ele, a empresa tem optado por ajustar suas próprias margens para preservar a rentabilidade dos franqueados e evitar repasses diretos ao consumidor final. A estratégia busca manter a competitividade da marca em um cenário de custos crescentes.

Outra medida adotada pela empresa é a gestão ativa de insumos. A companhia acompanha diariamente as cotações dos metais e realiza compras estratégicas quando identifica momentos de queda ou tendência de valorização.

Atualmente, a produção mensal da rede utiliza aproximadamente um quilo de ouro e três quilos de prata.

Mudanças no portfólio também fazem parte da estratégia

Empresas do setor também vêm revisando o mix de produtos para lidar com o aumento dos custos.

Na marca online CUFF Jewelry, a fundadora Brenda Piccirillo afirma que o portfólio passou a ser reavaliado com maior frequência. Peças que se tornaram inviáveis de produzir foram retiradas de linha, enquanto novos lançamentos passaram a considerar de forma mais estratégica o volume de metais utilizados.

Segundo a empreendedora, a empresa investe mensalmente mais de R$ 100 mil em metais preciosos para a produção das joias. Mesmo com ajustes no portfólio e nos processos produtivos, o custo de fabricação aumentou cerca de 20% no último ano.

Novos materiais surgem como alternativa

Outra abordagem encontrada por empresas do setor tem sido a busca por novos insumos.

A rede Convex Joias, que possui mais de 60 lojas, já havia iniciado esse movimento no início dos anos 2000 ao introduzir o uso de aço em parte de suas peças.

Agora, diante das novas altas no preço dos metais, a empresa desenvolveu uma liga exclusiva que deu origem a uma nova linha de produtos chamada OURUM™, segundo o CEO Rinaldo Monaco.

De acordo com a companhia, a nova composição pode reduzir em até 75% o custo de produção em comparação com o ouro 18 quilates tradicional.

Além do desenvolvimento de novos materiais, a empresa também investe em campanhas educativas para explicar aos consumidores a composição das peças e as transformações no mercado joalheiro.

Tendência de volatilidade deve continuar

Para especialistas, a volatilidade nos preços dos metais preciosos deve continuar ao longo dos próximos anos.

De acordo com Carla Beni, movimentos de compra e venda realizados por investidores influenciam diretamente as cotações globais, criando ciclos de valorização e correção.

Diante desse cenário, a recomendação para empreendedores que dependem desses insumos é acompanhar de perto o mercado e adotar estratégias mais flexíveis de compra.

Entre as medidas sugeridas estão a aquisição de lotes menores, o monitoramento constante das cotações e a manutenção de estoques mínimos de segurança para evitar compras emergenciais em momentos de alta.

Para empresas do setor, a capacidade de adaptação tende a ser um fator cada vez mais decisivo para manter a competitividade em um mercado altamente sensível às oscilações das commodities.

Fonte: PEGN

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