Decisões do ministro no STF geraram questionamentos internos na corporação; novas mensagens encontradas ampliaram o debate sobre a condução das investigações
A condução do ministro Dias Toffoli no inquérito relacionado ao caso Master tem sido marcada por uma série de embates institucionais com a Polícia Federal ao longo dos últimos meses. Nos bastidores, integrantes da corporação avaliam que decisões adotadas no processo alteraram o curso tradicional das investigações.
Entre os episódios mais sensíveis está a determinação de acareação entre investigados e autoridade pública antes mesmo da colheita formal de todos os depoimentos individuais pela PF. A medida foi considerada atípica por investigadores, já que o procedimento usual prevê a oitiva prévia das partes antes do confronto direto de versões.
As divergências se intensificaram após críticas públicas feitas por Toffoli à atuação da corporação. Em despacho, o ministro mencionou suposta demora no cumprimento de diligências e chegou a questionar diretamente o diretor-geral da PF sobre o andamento das medidas autorizadas pelo Supremo.
Investigadores ouvidos sob reserva avaliam que o magistrado passou a atuar de forma mais ativa na definição dos rumos da apuração, interferindo em etapas que tradicionalmente são conduzidas pela autoridade policial responsável pelo inquérito.
Outro ponto de tensão envolveu a custódia do material apreendido na fase mais recente da Operação Compliance Zero. Toffoli determinou que documentos, bens e dispositivos eletrônicos recolhidos permanecessem lacrados sob guarda do STF, sem acesso imediato da equipe responsável pela investigação. A decisão gerou questionamentos internos sobre o fluxo de trabalho pericial.
A escolha dos peritos autorizados a acompanhar a extração dos dados também partiu diretamente do gabinete do ministro, sem consulta prévia à corporação, o que ampliou o debate sobre a autonomia técnica da Polícia Federal.
Além das decisões processuais, episódios externos também contribuíram para a repercussão do caso. A viagem do ministro ao Peru para assistir à final da Copa Libertadores, em aeronave pertencente a advogado que atua no processo, foi alvo de críticas. Também vieram à tona informações sobre vínculos empresariais envolvendo familiares do magistrado e fundos ligados a Daniel Vorcaro, controlador do banco investigado.
Posteriormente, Toffoli autorizou o envio das provas à Procuradoria-Geral da República para extração e análise dos dados, atendendo a pedido do procurador-geral. A medida, no entanto, não encerrou o debate sobre os limites de atuação das instituições no caso.
No cronograma das oitivas, o ministro também promoveu ajustes ao condicionar a realização de acareações à conclusão prévia dos depoimentos individuais, reorganizando o planejamento inicial das diligências.
Relatório da PF
“Na última quarta-feira (11), a Polícia Federal encontrou menção ao ministro Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro. O material, periciado pela corporação, foi enviado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o que intensificou ainda mais a disputa institucional sobre a condução do caso e colocou a atuação de Toffoli sob dúvida.
Ao localizar menções ao relator, a PF comunicou o presidente do STF sobre os arquivos localizados que podem indicar a imparcialidade por parte do magistrado.
O gabinete de Toffoli se manifestou citando um pedido da PF para a suspeição do magistrado no caso do Banco Master e dizendo que isso se baseia em “ilações” e não tem respaldo jurídico.
Segundo a nota do ministro, a PF não tem legitimidade para formular esse tipo de requerimento por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.”
Fonte: G1

