Inspirada na dieta restritiva do primogênito, Jessica Davidoff investiu em grãos ancestrais para fundar a Cob
O que começou como uma busca desesperada pela saúde da família transformou-se em um fenômeno de vendas nos Estados Unidos. Jessica Davidoff, de 43 anos, fundadora da Cob, transformou uma necessidade pessoal em um negócio que faturou quase US$ 400 mil (R$ 2,06 milhões, na cotação atual) logo no primeiro mês de operação oficial.
A trajetória da empreendedora teve início em 2021, motivada por uma crise de saúde de seu filho mais velho. Segundo informações do site da revista Entrepreneur, o menino apresentava sintomas graves, como queda de cabelo, eczema e dores gastrointestinais. Após ser ignorada por dezenas de médicos, Davidoff descobriu por conta própria que o filho era alérgico a milho e seus derivados.
Ao eliminar o ingrediente da dieta da casa, a empresária — que se descreve como “viciada em pipoca” — passou a testar diversos grãos ancestrais para substituir o lanche. A solução veio com o sorgo, um grão que estoura de forma semelhante ao milho e possui alto valor nutricional.
“Meus amigos adoraram. Foi aí que tive o primeiro vislumbre de que isso poderia virar moda”, afirma Davidoff.
Do teste beta ao sócio estrela
Com 20 anos de experiência como CEO e fundadora de diversas empresas, Davidoff não entrou no mercado sem validação. Ela investiu cerca de US$ 150 mil (R$ 772,5 mil) do próprio bolso para financiar um teste beta em feiras de produtores e lojas especializadas em Nova York. O experimento serviu para ajustar sabores, embalagens e preços.
Apesar da experiência prévia em setores como moda e tecnologia, a empreendedora revelou que o ramo alimentício apresentou desafios únicos, como a gestão de produtos perecíveis e a instabilidade nos preços das safras. Durante a fase de estruturação, Davidoff enfrentou problemas com fabricantes terceirizados (copackers), chegando a descartar uma produção inteira devido ao uso de ingredientes incorretos.
O sucesso da validação inicial, no entanto, permitiu que a Cob ganhasse escala rapidamente. Com dados em mãos, a fundadora atraiu o tenista Novak Djokovic como cofundador e levantou uma rodada seed de US$ 5 milhões (R$ 25,75 milhões).
Crescimento explosivo
Após um lançamento em pré-venda em novembro de 2025, a marca iniciou as entregas em meados de dezembro. Em janeiro de 2026, o faturamento direto pelo site da empresa atingiu US$ 400 mil (R$ 2,06 milhões).
De acordo com relato à Entrepreneur, o ritmo de crescimento tem sido de dez vezes mês a mês, com estoques de produtos sazonais se esgotando em poucos dias.
Para Davidoff, o sucesso da Cob é a união entre propósito pessoal e viabilidade comercial. Seu principal conselho para quem deseja empreender é definir claramente o que significa sucesso — seja um negócio de estilo de vida ou uma futura venda bilionária — e validar a ideia de forma rigorosa antes de montar equipe e escalar.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

