Consumo de café no Brasil resiste à pressão de preços, mas revela mudança de comportamento

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O café segue como um dos elementos mais enraizados na rotina do brasileiro, mas os dados mais recentes mostram que o consumo da bebida começa a refletir diretamente as pressões econômicas. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Axxus em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Café, uma parcela significativa da população mantém um alto nível de ingestão diária, com 26% dos consumidores declarando consumir mais de seis xícaras por dia. Ao mesmo tempo, o estudo aponta uma inflexão relevante no comportamento: pela primeira vez na série histórica, há um movimento consistente de redução no consumo.

A retração registrada em 2025 revela uma mudança estratégica dentro do orçamento das famílias. Cerca de 24% dos entrevistados afirmaram ter diminuído a ingestão da bebida, indicando que, embora o café continue sendo prioridade, ele já não está imune aos impactos da inflação. Esse ajuste também se reflete nas decisões de compra, com um crescimento expressivo na busca por marcas mais acessíveis. Hoje, 39% dos consumidores priorizam o menor preço, um salto considerável em relação aos anos anteriores, sinalizando um consumo mais racional e menos orientado por preferência de marca.

O ambiente de consumo também passou por uma reorganização. Com a normalização das rotinas pós-pandemia, o local de trabalho voltou a ocupar a primeira posição como principal espaço para o consumo de café, seguido pelo ambiente doméstico. Já cafeterias, bares e restaurantes aparecem em posição inferior, reforçando uma mudança no comportamento fora de casa. A queda na frequência a esses estabelecimentos é significativa e está diretamente associada a fatores como percepção de preço elevado e experiências negativas de atendimento.

No varejo, os dados evidenciam uma busca crescente por eficiência e economia. Os atacarejos ampliaram sua participação nas vendas, consolidando-se como alternativa relevante para o consumidor mais sensível a preço, enquanto pequenos varejistas perderam espaço de forma acentuada. O supermercado tradicional, por sua vez, mantém a liderança como principal canal de compra, reforçando sua capilaridade e conveniência no dia a dia do consumidor.

Mesmo diante desse cenário de ajuste, o café mantém seu valor simbólico e funcional. A principal motivação para o consumo segue sendo o impacto direto no humor e na disposição, o que reforça o papel da bebida como um ritual diário que vai além do hábito alimentar. Ao mesmo tempo, há sinais de uma evolução no paladar, com o crescimento do interesse pela experiência de degustação, ainda que esse movimento esbarre na falta de conhecimento técnico sobre as diferentes categorias disponíveis no mercado.

Esse contraste entre sofisticação e desconhecimento revela uma oportunidade importante para o setor. Embora uma parcela relevante dos consumidores ainda não diferencie claramente os tipos de café, há um interesse crescente por qualidade e experiência. Em um cenário de pressão por preço, as marcas que conseguirem equilibrar valor percebido, educação do consumidor e posicionamento acessível tendem a ganhar relevância em um mercado que continua grande, mas cada vez mais seletivo.

Fonte: PEGN

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