Uma pizzaria na cidade de Budapeste, na Hungria, chamou atenção ao lançar uma receita experimental inspirada nos ingredientes utilizados na Roma antiga. A proposta do prato é recriar, de forma contemporânea, sabores que remetem à alimentação do período clássico, utilizando insumos que eram comuns há milhares de anos.
A criação foi desenvolvida pela Neverland Pizzeria, que apresentou uma pizza de edição limitada baseada em registros históricos e descobertas arqueológicas recentes.
Receita aposta em ingredientes tradicionais da Antiguidade
Entre os ingredientes utilizados na receita está o Epityrum, uma pasta de azeitonas temperadas bastante comum na culinária da Antiguidade. Outro elemento central do prato é o Garum, um molho feito a partir da fermentação de peixes, amplamente utilizado pelos romanos como tempero em diferentes preparações.
A massa também segue uma proposta histórica. Em vez de utilizar farinhas modernas, a pizzaria optou por grãos considerados ancestrais, como o Trigo Einkorn e a Espelta, variedades cultivadas há milhares de anos.
Para complementar o processo de fermentação da massa, a receita inclui suco de espinafre fermentado, que auxilia no crescimento e desenvolvimento da textura do pão.
Cobertura combina ingredientes pouco comuns na pizza moderna
A cobertura da pizza inclui coxa de pato confitada, pinhões tostados, ricota e uma redução de uvas. A proposta da equipe foi criar uma combinação que se aproximasse dos sabores disponíveis na Antiguidade, evitando ingredientes comuns na pizza moderna, como molho de tomate ou queijo muçarela.
Segundo o fundador da pizzaria, Josep Zara, a ideia surgiu após a descoberta de uma pintura mural encontrada em Pompeia em 2023.
A imagem retratava um pão achatado semelhante à focaccia, acompanhado de especiarias, sementes de romã e tâmaras — elementos que inspiraram a criação da receita.
Pesquisa histórica guiou o desenvolvimento do prato
O chef da casa, Gergely Bárdossy, explicou que a equipe precisou trabalhar com várias limitações durante o desenvolvimento da pizza.
Segundo ele, o fato de a infraestrutura da Roma antiga não contar com sistemas modernos, como água encanada, trouxe desafios para a recriação da receita, já que a água representa grande parte da composição da massa.
“Precisamos pensar em alternativas que pudessem funcionar dentro de um contexto anterior à infraestrutura moderna”, explicou o chef.
Especialistas apontam relação com a origem da pizza moderna
A arqueóloga culinária Lisa Roberts, especialista em gastronomia mediterrânea antiga, afirma que a criação pode ser interpretada como uma releitura contemporânea de preparações históricas.
Segundo a pesquisadora, o garum era um ingrediente extremamente valorizado pelos romanos, utilizado tanto como tempero quanto em preparações medicinais.
Para ela, a receita apresentada pela pizzaria pode ser vista como um “ancestral distante” da pizza moderna, que só surgiria muitos séculos depois.
Pães achatados já eram usados como base de refeições
A tradição de utilizar pães achatados como base para outros alimentos também aparece em registros literários da Antiguidade. Na obra Eneida, escrita pelo poeta romano Virgílio, o herói Eneias e seus companheiros utilizam pães de trigo como “mesas comestíveis”.
Nesses relatos, frutas e outros alimentos eram colocados sobre o pão durante a refeição. Ao final, os personagens consumiam também a própria base, mostrando que o alimento podia funcionar tanto como suporte quanto como parte do prato.
Fonte: PEGN

