Rede de sandálias personalizadas supera R$ 100 milhões e aposta em experiência para crescer

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O que começou como uma percepção sobre comportamento de consumo se transformou em um negócio de grande escala no varejo brasileiro. Fundada em 2005 por Rodrigo Deotto, a Sandaliaria nasceu a partir de um insight simples: o desejo do cliente não está no produto em si, mas na exclusividade que ele representa. A ideia surgiu durante um evento no Rio de Janeiro, ao observar o interesse por chinelos personalizados, e rapidamente ganhou forma em um quiosque de 6 m² no interior de São Paulo. Hoje, a rede ultrapassa 100 unidades e registrou faturamento de R$ 103 milhões em 2025.

Nos primeiros anos, o crescimento foi impulsionado pela customização de sandálias, um conceito ainda pouco explorado no varejo tradicional. O sucesso inicial, no entanto, trouxe desafios operacionais e estratégicos, especialmente na relação com grandes marcas do setor. A necessidade de reposicionamento levou à mudança de nome da empresa e, posteriormente, a uma decisão que redefiniu o modelo de negócio: a transição de uma operação focada em uma única marca para um portfólio multimarcas.

A diversificação se mostrou um dos principais motores de crescimento da rede. Ao incorporar marcas como Crocs, Rider e Ipanema, a empresa conseguiu reduzir a sazonalidade das vendas e ampliar seu público. Essa mudança permitiu equilibrar o fluxo de receita ao longo do ano e aumentou o potencial de conversão dentro das lojas. O entendimento de que diferentes perfis de consumidores demandam diferentes produtos foi determinante para a expansão do faturamento.

A entrada no franchising, em 2014, consolidou o modelo de escala da Sandaliaria, mas com adaptações próprias. Em vez de seguir o formato tradicional de franquias, a empresa desenvolveu uma estrutura mais flexível, que reduz custos de implantação e aumenta a autonomia dos franqueados. Com investimentos entre R$ 180 mil e R$ 250 mil por unidade, o modelo se posiciona abaixo da média do setor e aposta em gestão digital para manter a operação enxuta e eficiente. A cobrança de royalties fixos também reforça essa estratégia de acessibilidade e escalabilidade.

No ponto de venda, a performance é sustentada por métricas claras. O tíquete médio gira em torno de R$ 147, impulsionado por uma estratégia focada em aumento de itens por compra. A lógica é simples: estimular o cliente a levar mais de um produto por atendimento, seja por meio de acessórios ou itens complementares. Esse tipo de gestão comercial contribui diretamente para o crescimento da receita sem depender exclusivamente de aumento no fluxo de clientes.

Com forte presença feminina no público, a rede também ajustou seu formato de loja para melhorar a experiência de compra. A priorização de espaços fechados, em vez de quiosques, responde a uma demanda por mais conforto e privacidade, influenciando diretamente a decisão de compra. Essa leitura de comportamento reforça a importância de alinhar produto, ambiente e experiência dentro do varejo físico.

Para sustentar o crescimento, a empresa aposta agora na retomada de seu diferencial original com o apoio de tecnologia. O projeto “Blessed For You” pretende levar para dentro das lojas uma experiência de customização completa, permitindo que o cliente monte seu próprio produto de forma rápida e interativa. A proposta combina personalização com experiência, criando um fator de atração adicional no ponto de venda.

Mesmo diante de oportunidades de expansão mais agressiva, a estratégia da empresa segue pautada por crescimento controlado. A abertura de novas unidades ocorre de forma gradual, respeitando a capacidade operacional da rede. O objetivo é consolidar uma estrutura sólida no longo prazo, equilibrando escala e sustentabilidade em um mercado cada vez mais competitivo.

Fonte: PEGN

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