Negócio que nasceu na pandemia aposta em franquias e crescimento com impacto social
Criada em um dos períodos mais incertos dos últimos anos, a Ciclos+ transformou uma necessidade emergente em uma oportunidade de negócio com propósito. O que começou com apenas 12 alunos e aulas online voltadas para idosos hoje se consolidou como uma escola cultural para o público 60+, com faturamento anual de R$ 300 mil e planos ambiciosos de expansão por franquias.
A ideia surgiu a partir de uma mudança de rota profissional de Juliana Enderle e Cristiano Cunha. Com experiências distintas — ela no franchising e ele no meio acadêmico — os dois identificaram uma lacuna pouco explorada: a educação e, principalmente, a socialização na terceira idade. Inicialmente, o projeto previa atender também designers, mas a chegada da pandemia redefiniu o foco.
Diante do isolamento social, os empreendedores perceberam que o público idoso seria um dos mais impactados emocionalmente. Foi aí que decidiram concentrar esforços exclusivamente nesse segmento. Em julho de 2020, lançaram a primeira turma com aulas online de história da arte, captando alunos por meio de contatos próximos.
O que veio depois foi além do esperado.
Mais do que aprendizado, os encontros passaram a gerar transformação no comportamento dos alunos. Aos poucos, o que era apenas uma aula virou um espaço de convivência. Os participantes começaram a se preparar para os encontros, interagir antes das aulas e criar vínculos — algo que revelou um insight poderoso para o negócio.
Com base nesse comportamento, a Ciclos+ estruturou sua proposta em três pilares: aprendizado, socialização e pertencimento.
Mesmo durante o isolamento, a empresa passou a incentivar momentos de interação fora do horário das aulas. Em 2022, deu um novo passo ao iniciar operações presenciais em Porto Alegre (RS), dentro de uma universidade, ampliando ainda mais a experiência dos alunos.
Hoje, o negócio vai muito além das aulas tradicionais. A escola oferece uma programação completa, que inclui visitas culturais, viagens, eventos e cursos livres. Atualmente, conta com cerca de 110 alunos, com idades entre 59 e 94 anos, mostrando a diversidade e o potencial desse público.
Expansão por franquias já começou
Com a operação validada, o próximo movimento veio de forma natural: a expansão. A demanda surgiu organicamente, com pessoas de outras cidades interessadas em levar o modelo para seus familiares.
Para acelerar esse crescimento, os fundadores optaram pelo franchising. A estruturação do modelo foi concluída em 2025 e, antes mesmo de uma estratégia formal de vendas, a primeira unidade já foi comercializada em Pelotas (RS).
O negócio conta com dois formatos de franquia:
- Essência: modelo com sede própria, a partir de R$ 70 mil
- Conexão: formato mais enxuto, em parceria com universidades e hubs, com investimento inicial a partir de R$ 45 mil
A unidade de Pelotas seguirá o modelo Conexão, operando dentro de um hub de inovação — uma escolha estratégica que reforça o conceito de integração social, um dos pilares da marca.
Para os próximos meses, a empresa já avalia expansão para cidades como Joinville, Florianópolis, Santa Maria, Caxias do Sul, São Paulo e Curitiba. A meta é clara: alcançar 20 franquias até o fim do ano, entre unidades abertas e comercializadas.
Mais que um negócio, um posicionamento
Apesar de o faturamento ainda estar concentrado nas aulas, a Ciclos+ já trabalha na diversificação de receitas. Uma das principais apostas está nas parcerias com casas de repouso e espaços de senior living, ampliando o alcance da proposta.
Mais do que crescer em números, o objetivo dos fundadores é consolidar a marca como referência em educação e longevidade ativa. E isso revela um movimento importante para o mercado: negócios que unem impacto social e modelo escalável tendem a ganhar cada vez mais espaço.
No fim das contas, a Ciclos+ não vende apenas cursos. Ela entrega algo que muitos ignoram como oportunidade de negócio: conexão, propósito e qualidade de vida.
Fonte: PEGN

