A decisão de deixar o ambiente das agências para construir um negócio próprio partiu de uma leitura estratégica clara de mercado. Com mais de três décadas de experiência em publicidade, Ricardo e Nicia Maria Passos identificaram uma lacuna relevante na oferta de serviços especializados em animação, especialmente no uso de tecnologia 3D aplicada à comunicação de marcas. Foi a partir dessa oportunidade que nasceu, em 2008, a BIG, inicialmente estruturada em um escritório de 30 m², com investimento de R$ 40 mil e uma operação enxuta formada pelo casal, um colaborador e, logo no segundo mês, a entrada de Nelson Alves Neto como sócio.
O crescimento da empresa seguiu uma lógica comum a negócios criativos que conseguem validar rapidamente seu posicionamento: os primeiros contratos vieram da rede de contatos construída ao longo da trajetória dos fundadores, mas a consistência na entrega abriu espaço para a entrada de clientes de maior porte. Ao longo do tempo, a BIG expandiu seu portfólio para além da animação tradicional, incorporando soluções como digitalização 3D de produtos, desenvolvimento de bibliotecas automotivas em 3D, produção de campanhas completas e serviços de terceirização de etapas específicas de animação. Ainda assim, a produção 3D segue como o núcleo do negócio, respondendo por cerca de 70% da receita.
A expansão internacional aconteceu de forma orgânica, impulsionada pela reputação criativa e técnica da empresa. Aproximadamente seis anos após a fundação, clientes de fora do Brasil começaram a demandar os serviços da produtora, movimento que se intensificou à medida que o mercado global passou a valorizar diferenciais criativos associados ao estilo brasileiro. Atualmente, a BIG atende empresas na América do Norte, Europa, Ásia e Oceania, com uma carteira que inclui grandes marcas e uma operação que já conta com mais de cinquenta colaboradores. Metade do faturamento já tem origem em projetos internacionais, consolidando a presença da empresa fora do país.
Com o objetivo de acelerar ainda mais essa expansão, especialmente nos Estados Unidos, a produtora estruturou um plano de internacionalização que prevê a abertura de uma unidade em Nova York. O mercado norte-americano já representa cerca de 20% da receita da empresa, e a nova operação surge como um movimento estratégico para ampliar a proximidade com clientes e aumentar participação em um dos maiores polos globais de consumo de animação. A expectativa é que, com o investimento estimado em US$ 150 mil, a base de clientes na região seja triplicada em até três anos.
Mesmo diante do avanço da inteligência artificial na produção de conteúdo, a empresa aposta na valorização do trabalho criativo especializado como diferencial competitivo. A tecnologia já é utilizada internamente para otimizar processos e aumentar eficiência, mas a estratégia da BIG está ancorada na combinação entre automação e craft criativo, entendendo que a padronização gerada por ferramentas automatizadas tende a ampliar a demanda por produções com identidade e originalidade. Com faturamento na casa dos oito dígitos e projeção de crescimento de pelo menos 40% no ano, a empresa reforça uma tese cada vez mais relevante no mercado: escala e criatividade não são opostos, mas precisam de estrutura para coexistir.
Fonte: PEGN

