O varejo brasileiro registrou crescimento de 5,5% em março, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Na comparação anual, a alta foi de 6,4%, enquanto o primeiro trimestre de 2026 acumulou avanço de 2,4%. O resultado representa uma recuperação em relação a fevereiro, quando o setor havia apresentado retração, mas ainda não indica uma mudança estrutural no ritmo de crescimento.
O desempenho positivo foi puxado por todos os segmentos analisados, com destaque para combustíveis e lubrificantes, papelaria, móveis e eletrodomésticos e materiais de construção. Ainda assim, categorias mais essenciais, como supermercados e alimentos, registraram avanço mais tímido, sinalizando um comportamento de consumo mais cauteloso, com foco em itens prioritários.
Na análise anual, o cenário se mantém majoritariamente positivo, com crescimento em sete dos oito segmentos, sendo papelaria o único a apresentar queda. Esse movimento reforça uma mudança no padrão de consumo, em que gastos considerados menos essenciais tendem a sofrer maior impacto em períodos de pressão econômica.
O contexto macroeconômico continua sendo o principal fator de influência sobre o setor. A combinação entre mercado de trabalho ainda resiliente e aumento da renda contribui para sustentar as vendas, mas o elevado nível de endividamento das famílias e o custo do crédito seguem como barreiras relevantes para uma recuperação mais consistente.
Com a taxa Selic em 14,75% ao ano, o acesso ao crédito permanece restrito e mais caro, o que afeta diretamente setores dependentes de financiamento. Nesse cenário, segmentos mais ligados à renda apresentam desempenho relativamente melhor, enquanto aqueles que dependem de parcelamento tendem a crescer de forma mais limitada.
No recorte regional, todos os estados registraram crescimento na comparação anual, com destaque para regiões que apresentaram avanço mais acelerado. Ainda assim, a diferença de ritmo entre os estados evidencia que a recuperação do varejo acontece de forma desigual, refletindo as particularidades econômicas de cada região.
Apesar do resultado positivo em março, a leitura do setor ainda é de cautela. O crescimento recente indica melhora pontual, mas o varejo deve continuar operando em um ambiente de instabilidade, com oscilações nos próximos meses e dependência direta das condições econômicas e do comportamento do consumidor.
Fonte: PEGN

