Levantamento testou centenas de empresas em ferramentas como ChatGPT, Claude, Gemini e Perplexity e viu que a maior parte delas simplesmente não aparece nas respostas, enquanto quase todos os executivos ouvidos temem perder espaço nessa nova forma de busca.
Por Redação
Antes de comprar, cada vez mais gente já não digita a pergunta no Google. Digita para o ChatGPT, para o Claude, para o Gemini ou para o Perplexity, e espera uma resposta pronta, com marca sugerida incluída. Um levantamento recente foi atrás de entender quem está sendo citado nessas respostas e a conclusão é dura: a maioria das marcas testadas simplesmente não aparece. Some do radar justamente no momento em que o cliente está decidindo o que comprar.
O estudo passou centenas de empresas pelas principais ferramentas de inteligência artificial usadas para pesquisa e comparou quantas vezes cada uma era mencionada em respostas sobre produtos e serviços do seu próprio setor. O resultado se repetiu marca após marca: presença baixa ou nula. Ao mesmo tempo, quase todos os executivos consultados pela pesquisa disseram temer perder relevância à medida que mais consumidores trocam o buscador tradicional por um assistente de IA na hora de pesquisar antes de comprar.
O motivo é simples de entender. O Google mostra uma lista de links e o usuário escolhe onde clicar. Já o ChatGPT e ferramentas parecidas entregam uma resposta fechada, com poucas marcas citadas, às vezes uma só. Quem não está entre essas poucas citações perde a visibilidade inteira daquela busca, sem nem aparecer na segunda página. É um funil muito mais estreito do que o da busca tradicional, e a maior parte das empresas ainda não organizou seu conteúdo pensando nisso.
Existe um nome para o trabalho de aparecer bem nessas respostas: otimização para inteligência artificial, ou GEO, uma espécie de sucessor do SEO que todo mundo já conhece. Enquanto o SEO cuida de posição no Google, o GEO cuida de como a marca é descrita, comparada e citada dentro das respostas geradas por IA. Isso passa por ter conteúdo claro sobre o que o negócio vende, avaliações reais espalhadas pela internet, presença em sites de terceiros que falam sobre o setor e informação estruturada no próprio site, sem depender só de imagem ou vídeo para explicar o produto.
O movimento não é isolado. O ChatGPT já começou a exibir anúncios para usuários no Brasil, mostrando publicidade justamente quando a pergunta feita ao chatbot indica intenção de compra, o que reforça que esse canal deixou de ser experimental. No WhatsApp, a Meta também tem apresentado o aplicativo cada vez mais como uma plataforma de comércio conduzida por agentes de inteligência artificial, que acompanham o cliente desde a descoberta do produto até o pagamento. Ou seja, a descoberta de marca está migrando para dentro de conversas com IA em várias frentes ao mesmo tempo, não só na busca.
Para o pequeno negócio, o primeiro passo é simples e não custa nada: perguntar diretamente ao ChatGPT, ao Gemini ou ao Claude sobre o próprio produto ou serviço, do jeito que um cliente perguntaria, e ver se a marca aparece na resposta. Se não aparecer, vale revisar o que existe publicado sobre o negócio na internet: se o site explica bem o que é vendido, se há avaliações de clientes em plataformas abertas, se outros sites do setor mencionam a empresa. Esses são exatamente os pontos que as ferramentas de IA usam como referência para montar uma resposta.
Ignorar esse movimento tem custo silencioso. Enquanto a briga por posição no Google já é antiga e conhecida, a briga por uma citação dentro de uma resposta de IA está apenas começando, e quem se organizar cedo tende a ocupar um espaço que ainda está praticamente vazio.
Com informações do Portal Information Management, do Meio & Mensagem e da Brasil Inovador.

