A jornada de compra está mudando e quem não entender a IA conversacional vai perder vendas nos próximos anos

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A forma como empresas se conectam com seus clientes está passando por uma transformação estrutural, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial. Durante o VTEX Day 2026, em São Paulo, o CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, destacou que a jornada de consumo caminha para um modelo cada vez mais conversacional, no qual interfaces tradicionais perdem espaço para interações mais fluidas, inteligentes e contextualizadas. A mudança não é apenas tecnológica, mas comportamental, e redefine a maneira como decisões são tomadas dentro e fora das empresas.

Nesse novo cenário, a inteligência artificial deixa de atuar apenas como suporte e passa a assumir um papel mais ativo na execução de tarefas. Segundo Trajano, o consumidor tende a delegar atividades complexas para agentes de IA, como a própria decisão de compra. Em vez de navegar por múltiplas páginas ou comparar manualmente opções, o usuário poderá simplesmente interagir com um sistema que entende suas preferências, monitora condições de mercado e realiza a compra no momento ideal. Esse modelo, já observado em testes de AI e-commerce, apresenta taxas de conversão até três vezes maiores do que os formatos tradicionais.

A visão é reforçada por Fábio Coelho, que define a IA como uma evolução natural da personalização no ambiente digital. Ao substituir buscas estáticas por conversas dinâmicas, a tecnologia simplifica a tomada de decisão e reduz o esforço cognitivo do consumidor. Em vez de analisar especificações técnicas isoladas, o cliente passa a expressar necessidades, contexto e preferências, recebendo respostas mais assertivas e alinhadas ao seu perfil. Esse avanço amplia não apenas a eficiência da jornada, mas também o nível de satisfação com a experiência de compra.

Os dados já indicam que essa mudança está em curso. Cerca de 60% dos brasileiros afirmam ter utilizado recomendações de inteligência artificial para realizar compras, sinalizando uma adoção acelerada e um comportamento cada vez mais orientado por tecnologia. Para as empresas, isso representa uma oportunidade clara de otimizar processos internos, desde a gestão até a logística, além de criar experiências mais personalizadas e escaláveis.

Ao mesmo tempo, a transição impõe novos desafios estratégicos. A jornada do cliente se torna mais simples, mas exige das empresas maior capacidade de integração de dados, adaptação tecnológica e leitura de comportamento. O diferencial competitivo deixa de estar apenas no produto ou no preço e passa a depender da capacidade de interpretar contextos e responder em tempo real.

Nesse ambiente, a IA não substitui o e-commerce tradicional, mas o redefine. A automação ganha uma camada de humanização, aproximando tecnologia e experiência de forma inédita. Para o empresário, o recado é direto: não se trata mais de adotar inteligência artificial, mas de entender como ela reposiciona toda a lógica de venda, relacionamento e tomada de decisão no mercado atual.

Fonte: PEGN

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