Em um contexto em que a aposentadoria costuma ser vista como destino natural após décadas de trabalho, histórias que desafiam esse padrão ganham destaque. É o caso da escritora Lorraine C. Ladish, de 62 anos, que segue em plena atividade profissional ao lado do pai, Delfin Carbonell Basset, de 87, ambos movidos não apenas pela renda, mas pelo senso de propósito que o trabalho proporciona.
Morando na Flórida, nos Estados Unidos, região conhecida por atrair aposentados, Ladish afirma que não se identifica com a ideia de encerrar a vida profissional. Para ela, o trabalho representa estímulo intelectual, liberdade criativa e conexão com o mundo. A rotina inclui produção de conteúdo, escrita de livros e atuação nas redes sociais, onde incentiva outras pessoas a envelhecerem de forma ativa e produtiva.
A relação com o trabalho, no entanto, não é recente. Trata-se de um valor construído ao longo de gerações. Seu pai, que vive em Madri, na Espanha, segue atuando como professor de inglês e lexicógrafo, mantendo uma rotina produtiva aos 87 anos. As conversas entre os dois giram, frequentemente, em torno de projetos em andamento, reforçando a ideia de que a atividade profissional, para eles, está diretamente ligada à identidade e ao propósito de vida.
Mais do que uma escolha individual, o caso reflete uma mudança mais ampla no comportamento de parte da população, que passa a enxergar o trabalho como fonte de realização pessoal e não apenas como obrigação financeira. A longevidade, aliada ao acesso à tecnologia e a novas formas de atuação, permite que profissionais continuem ativos por mais tempo, adaptando suas rotinas e formatos de trabalho.
Ladish defende que não existe idade limite para produzir, criar ou alcançar novos objetivos. Com mais experiência acumulada ao longo dos anos, ela afirma se sentir ainda mais preparada para desenvolver projetos relevantes. A percepção de que ainda não atingiu seu auge reforça uma mentalidade cada vez mais presente no mercado: a de que crescimento e evolução não estão restritos a uma fase específica da vida.
O exemplo de pai e filha evidencia uma tendência importante para o futuro do trabalho, em que a continuidade da atividade profissional passa a ser guiada menos por necessidade e mais por significado. Em um cenário de transformações constantes, manter-se ativo deixa de ser apenas uma questão econômica e se consolida como estratégia de bem-estar, longevidade e realização pessoal.
Fonte: PEGN

