Diagnosticado com TDAH apenas aos 19 anos, já na universidade, Gleyson Santos carrega desde a infância as marcas de uma experiência escolar pouco adaptada à sua realidade. Dificuldade de concentração, sobrecarga mental e episódios de incompreensão em sala de aula fizeram parte da sua trajetória, que mais tarde se tornaria o ponto de partida para empreender.
Durante sua formação em Psicologia, Santos decidiu ir além do esperado em um trabalho acadêmico. Enquanto colegas optaram por soluções teóricas, ele e seu grupo criaram um MVP prático, ainda em papel, que permitia aos professores registrar comportamentos de alunos neurodivergentes. A iniciativa simples foi o embrião da NeuroIdentify, edtech criada para apoiar educadores na identificação e desenvolvimento desses estudantes.
A proposta ganhou força em novembro de 2024, quando o projeto passou por uma reformulação estratégica. Ao lado dos sócios Marcus Monteiro, David Cabral, Matheus Cardoso e Danilo Castro, Santos decidiu escalar a solução e direcioná-la ao ensino primário. A mudança partiu de um entendimento claro, a base educacional é o momento mais crítico para o desenvolvimento cognitivo, social e motor, e a falta de adaptação pode gerar prejuízos acumulativos ao longo da vida.
A NeuroIdentify funciona a partir da observação contínua dos professores. Com base em critérios do DSM-5 e da CID-11, a plataforma utiliza inteligência artificial para identificar padrões comportamentais associados a condições como TDAH e TEA, além de sugerir intervenções pedagógicas personalizadas. O sistema também acompanha a evolução dos alunos por meio de indicadores de aprendizagem e comportamento, oferecendo relatórios estruturados para escolas e famílias.
O modelo de negócios é baseado na venda de licenças para instituições de ensino, com cobrança por professor usuário. Atualmente focada no setor privado, a edtech já enxerga no mercado público uma oportunidade de expansão significativa, especialmente pelo potencial de impacto em larga escala.
Mesmo com uma proposta inovadora, a jornada inicial não foi simples. Inserida em um ecossistema ainda conservador, a startup enfrentou dificuldades para ganhar tração local. Ainda assim, os resultados do MVP, que indicaram uma melhora de 80% na aprendizagem dos alunos acompanhados, abriram portas em outros estados. Hoje, a NeuroIdentify já participa de projetos educacionais fora do Pará e projeta expansão ao longo do ano, com metas de novos contratos e crescimento da base de clientes.
Fonte: PEGN

