Comércio eletrônico avançou 12,1% na data, contra 6,6% do ponto físico, e reforça a migração de canal que o pequeno negócio não pode ignorar
Por Redação
O Dia dos Pais deste ano deixou um recado claro para quem vende no varejo: o cliente está cada vez mais disposto a fechar a compra pela tela, não pela vitrine. As vendas on-line na data devem movimentar R$ 10,56 bilhões, com alta de 12,1% frente ao ano anterior, enquanto o varejo físico cresceu 6,6% no mesmo período. Ou seja, o comércio eletrônico avançou em ritmo quase duas vezes maior que o das lojas de rua e shopping.
O resultado acompanha um movimento que já vinha se desenhando nos últimos meses: o consumidor pesquisa preço, compara frete e só depois decide onde comprar. Com os juros ainda pressionando o orçamento das famílias, essa comparação ficou mais rigorosa, e o canal que oferece a condição mais vantajosa, seja em valor, parcelamento ou prazo de entrega, tende a levar a venda.
O cenário geral do varejo também ajuda a entender o contexto. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado, o faturamento do setor cresceu 7,7% na semana da data em comparação a 2025, o melhor desempenho do Dia dos Pais em quatro anos. O detalhe importante é que esse resultado positivo veio mesmo com o consumidor mais seletivo, buscando promoções e marcas alternativas de menor valor. Isso mostra que a data continua puxando caixa, mas premia quem soube se adaptar ao bolso mais apertado do cliente.
Para o pequeno empreendedor, a lição prática é direta. Quem concentra as vendas apenas na loja física corre o risco de deixar dinheiro na mesa justamente nas datas que mais movimentam o calendário comercial. Não é preciso construir uma loja virtual completa da noite para o dia. Um catálogo atualizado no WhatsApp Business, uma vitrine ativa em marketplace ou até publicações de produto bem feitas nas redes sociais já colocam o negócio na disputa por esse cliente que decide a compra pesquisando no celular.
Outro ponto que merece atenção é a experiência de compra fora da loja. Se o cliente vai comparar preço e frete antes de fechar pedido, o pequeno negócio precisa deixar claro, de forma simples e visível, qual é o prazo de entrega, se há opção de retirada e quais são as formas de pagamento disponíveis. Detalhes assim pesam na decisão tanto quanto o preço final do produto.
O momento também serve de termômetro para o restante do ano. O Dia dos Pais é a última grande data do varejo antes da reta final até o Natal, e a diferença de desempenho entre canal físico e digital observada agora tende a se repetir, ou até se intensificar, em datas maiores como a Black Friday. Testar agora um canal de venda on-line, ainda que simples, é uma forma barata de chegar mais preparado para essa disputa.
Para quem já vende nos dois formatos, vale revisar se o atendimento digital está tão ágil quanto o do balcão. Resposta lenta no WhatsApp ou estoque desatualizado no marketplace anula boa parte da vantagem de estar presente on-line. O crescimento do comércio eletrônico não substitui a loja física, mas mostra que ignorar o canal digital, mesmo em versão enxuta, já tem custo real para o faturamento do pequeno negócio.
Com informações de Meio & Mensagem e Correio Braziliense.

