Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que marketing e vendas lideram o interesse das empresas em inteligência artificial, na frente do atendimento ao cliente
Por Redação
Quando o pequeno e médio empresário brasileiro pensa em inteligência artificial, a primeira pergunta não é como atender melhor o cliente que já chegou, e sim como atrair e converter mais clientes novos. É o que mostra uma pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise: entre os empresários que pretendem adotar IA, 69% apontam marketing e vendas como a área de maior potencial, na frente até do atendimento ao cliente.
O levantamento indica que a adoção ainda está no início. Apenas 14% das empresas já usam IA no dia a dia, mas 24% planejam implementar a ferramenta em breve, o que sugere um salto expressivo no uso nos próximos meses. Mais da metade dos empresários consultados acredita que a tecnologia vai ajudar a vender mais, um sinal de que a expectativa comercial pesa mais do que a promessa de eficiência operacional na hora de decidir investir.
A escolha não é aleatória. Marketing e vendas concentram tarefas repetitivas e mensuráveis, como segmentar público, escrever variações de anúncio, qualificar leads e organizar follow up, que a inteligência artificial consegue acelerar sem exigir grande estrutura técnica. Atendimento ao cliente, por outro lado, costuma envolver decisões mais delicadas, ligadas à reputação da marca e à resolução de problemas específicos, o que torna a automação mais arriscada para quem está testando a ferramenta pela primeira vez.
Essa prioridade também aparece em outras frentes do mercado. Victor Bartholomeu, fundador da VIJAY Marketing Digital, defende que o crescimento de uma empresa segue uma sequência única: atrair cliente, gerar oportunidade, converter em venda, entregar experiência e construir relacionamento, tudo conectado por tecnologia. Para ele, a inteligência artificial amplia a capacidade de analisar dados e personalizar campanhas, mas só entrega resultado em negócios que já têm estratégia e objetivos comerciais claros antes de ligar a ferramenta.
O alerta serve de contraponto ao entusiasmo dos números. Comprar acesso a uma IA de marketing sem antes organizar o funil de vendas tende a reproduzir, de forma mais rápida, os mesmos erros que a empresa já cometia manualmente: campanha sem público definido, lead sem critério de qualificação e oferta sem motivo claro para ser aceita. A ferramenta multiplica o que já existe, para o bem e para o mal.
Há também um recorte de maturidade que ajuda a explicar por que tanta gente aposta em vendas primeiro. Levantamentos recentes sobre o uso corporativo de IA no país mostram que metade das empresas brasileiras já usa a tecnologia de alguma forma, mas só 15% estão em estágio avançado de adoção, e apenas 38% conseguem medir retorno real sobre o investimento. Em outras palavras, usar IA de forma pontual já é comum, mas transformar isso em vantagem competitiva ainda depende de processo, meta e, principalmente, medição.
Para o empresário que está decidindo por onde começar, a aposta em marketing e vendas tem lógica: é a área mais fácil de medir em reais, com indicadores diretos como custo por lead, taxa de conversão e ticket médio. Antes de contratar qualquer ferramenta, porém, vale mapear o funil atual e identificar em qual etapa a IA realmente resolve um gargalo, seja na geração de conteúdo para anúncios, na qualificação automática de leads ou na organização de follow up. Começar pequeno, com uma única tarefa bem definida, e acompanhar o resultado por algumas semanas antes de expandir o uso evita o erro mais comum apontado pelos especialistas: tratar a inteligência artificial como solução mágica para um negócio que ainda não sabe, claramente, como vende.
Com informações de Acontecendo Aqui e UAI Notícias.

