Agosto é o mês de montar a estratégia da Black Friday, não novembro

Estratégias de Marketing

Especialistas apontam que definir produtos, margem e reposição de estoque com meses de antecedência é o que separa quem lucra de quem só participa da data

Por Redação

A Black Friday acontece em novembro, mas o trabalho que decide se a data vai dar lucro ou prejuízo começa bem antes. Especialistas ouvidos pela Exame reforçam que agosto é o momento certo para pequenos negócios darem início à organização da campanha, e não a última semana de outubro, quando já sobra pouco espaço para corrigir erros de planejamento.

A lógica é simples: quem só pensa em Black Friday quando novembro chega costuma cair em duas armadilhas conhecidas. A primeira é escolher produtos para promover sem calcular direito a margem de cada um, o que leva a descontos que parecem agressivos para o cliente, mas corroem o caixa do negócio. A segunda é não alinhar a reposição de estoque com fornecedores a tempo, e acabar sem mercadoria justamente no pico de vendas do ano, depois de já ter investido em divulgação.

Por isso, a recomendação prática para quem toca um pequeno negócio é usar agosto para responder a três perguntas antes de qualquer peça publicitária ser criada. Quais produtos realmente entram na campanha. Qual desconto cada um suporta sem zerar a margem. E qual é o prazo real de reposição junto ao fornecedor, considerando que outubro e novembro tendem a ser meses de alta demanda para toda a cadeia, não só para quem vende ao consumidor final.

Essa organização antecipada também abre espaço para outra frente que fica de fora quando o planejamento é deixado para a última hora: construir audiência. Uma base de clientes engajada não se forma em duas semanas. Ela é resultado de meses de relacionamento, seja por e-mail, redes sociais ou WhatsApp, para que, quando a Black Friday chegar, o negócio já tenha para quem vender, e não dependa só de tráfego pago comprado às pressas.

O momento reforça ainda a importância de olhar para o caixa do negócio como um todo, não apenas para a data isolada. Dados recentes da Serasa Experian mostram que a inadimplência empresarial no Brasil bateu recorde neste ano, com mais de 9 milhões de CNPJs negativados, a maior parte deles micro e pequenas empresas do setor de serviços. Nesse cenário, comprometer o fluxo de caixa com estoque parado ou descontos calculados sem critério pode custar caro justamente no período em que o pequeno negócio mais precisa de fôlego financeiro.

Também vale observar como o comportamento de compra do consumidor está mudando ao longo do ano. Levantamento da campanha 7.7 da Shopee mostrou crescimento de 35% em vendas na comparação com o ano anterior, puxado por categorias como casa, construção, beleza e moda feminina, o que indica que datas promocionais fora da Black Friday já movimentam receita relevante para pequenos vendedores. Isso reforça que testar preço, comunicação e logística em campanhas menores ao longo do segundo semestre pode servir como ensaio para a data de novembro, reduzindo o risco de erro justamente quando o volume de vendas é maior.

Na prática, o checklist de agosto para um pequeno negócio passa por definir a curadoria de produtos, calcular margem produto a produto, confirmar prazos de reposição com fornecedores, e começar a construir ou aquecer a base de contatos que vai receber as ofertas em novembro. Adiar essas decisões para outubro não impede a participação na Black Friday, mas reduz sensivelmente a margem de manobra para corrigir rota, negociar melhor com fornecedores ou testar diferentes formatos de oferta antes do dia decisivo.

Com informações da Exame.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *