Ex-sócio da XP compra rede de academias e leva modelo de comissão para franquias

Empreendedorismo

Compra da SkyFit mostra como uma lógica comercial testada em um setor pode virar estratégia de crescimento em outro mercado

Por Redação

Caio Peres, ex-sócio da XP, liderou um grupo que comprou a rede de academias SkyFit por R$ 400 milhões. O plano é ambicioso: aplicar no setor de academias uma lógica parecida com a que ajudou a corretora a crescer, baseada em agentes autônomos, incentivo comercial forte e expansão por rede.

A SkyFit tem 370 unidades franqueadas em 22 estados e quer chegar a mil unidades em cinco anos. Para acelerar esse avanço, a estratégia inclui reduzir a barreira de entrada para franqueados, usando leasing de equipamentos em vez de exigir compra pesada logo no início. Assim, o investimento inicial fica menor do que em concorrentes maiores, o que pode atrair empreendedores que desejam entrar no setor fitness com menos capital imobilizado.

O caso interessa ao pequeno empreendedor porque mostra uma forma de pensar além do produto. A aposta não está apenas em vender mensalidade de academia. Está em desenhar um modelo de crescimento com incentivos, franqueados, padronização e acesso facilitado ao equipamento necessário para operar.

Transplantar uma lógica de um setor para outro é uma das formas mais fortes de inovação empresarial. O modelo de agentes autônomos da XP funcionou no mercado financeiro porque alinhava crescimento da rede, remuneração variável e capilaridade comercial. Ao levar essa mentalidade para academias, o grupo aposta que franqueados bem incentivados e com menor custo de entrada podem acelerar expansão territorial.

Para negócios menores, a pergunta útil é: qual prática de outro setor poderia resolver uma trava da própria empresa? Um salão pode aprender com assinatura de software e criar planos recorrentes. Uma clínica pode aprender com franquias e padronizar atendimento. Uma loja pode aprender com marketplace e organizar vitrine, avaliação e logística. A inovação nem sempre nasce de uma tecnologia nova. Muitas vezes nasce de importar uma mecânica já validada em outro contexto.

O risco, claro, é copiar sem adaptação. O que funciona em corretora não funciona automaticamente em academia. Cada setor tem margens, operação, comportamento de cliente e exigências regulatórias próprias. Por isso, o valor do caso está menos em repetir a fórmula e mais em observar o raciocínio: reduzir barreira de entrada, alinhar incentivos e facilitar escala.

O movimento também reforça a força das franquias no Brasil. Modelos que oferecem marca, processo e suporte continuam atraindo empreendedores em um momento de juros ainda altos, justamente porque prometem reduzir parte da incerteza de começar do zero.

Para quem busca crescer, a lição é olhar para o próprio negócio como sistema. Produto, canal, incentivo, capital inicial e operação precisam trabalhar juntos. Quando uma dessas peças trava, talvez a resposta já exista em outro mercado.

Com informações de Brazil Journal.

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