Setor cresce quase 10% na comparação anual e chega a 207,2 mil unidades, puxado por lavanderias, saúde e bem estar e alimentação
Por Redação
O setor de franquias faturou R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026, um avanço de quase 10% sobre o mesmo período do ano passado. O número chama atenção justamente por acontecer num momento de juros altos, crédito mais caro e famílias com dívida acumulada, cenário que costuma esfriar o consumo e travar a abertura de negócios.
Segundo levantamento da Associação Brasileira de Franchising, o país fechou o semestre com 207,2 mil unidades franqueadas em operação, mais de 6,6 mil a mais do que havia um ano antes. Isso significa que, em meio a um ambiente de crédito restrito, o modelo de franquia continuou abrindo unidades novas e, com elas, gerando emprego formal em ritmo consistente.
Três segmentos puxaram esse resultado com mais força: lavanderias de autosserviço, saúde e bem estar, e alimentação. São nichos com um traço em comum, ticket de entrada relativamente acessível para o franqueado e demanda que não depende de grandes variações do bolso do consumidor, o que ajuda a explicar por que continuaram atraindo investidor mesmo com o custo do dinheiro elevado.
O contraste com o cenário macroeconômico é o que torna o dado relevante. Juro alto encarece o financiamento tanto de quem quer abrir uma unidade quanto de quem já opera e precisa de capital de giro. Ainda assim, o setor manteve crescimento de dois dígitos percentuais em faturamento, um desempenho que reforça uma leitura recorrente entre especialistas do mercado, a de que marca reconhecida e processo padronizado funcionam como colchão de proteção quando o crédito fica mais difícil.
Para quem empreende fora do universo de franquias, o dado carrega uma lição prática. Padronização de processo, força de marca e suporte de uma rede reduzem parte do risco que normalmente pesa mais em cenário de juro alto. Não é um caminho automático nem livre de custo, franquia exige taxa inicial, royalties e disciplina de operação dentro de um manual, mas a resiliência mostrada no semestre indica que negócio com processo replicável tende a atravessar melhor um período de crédito caro do que negócio inteiramente dependente de decisão individual do dono.
Também vale observar o que veio junto com o crescimento do faturamento, geração de emprego. Cada unidade nova aberta representa contratação local, o que dá ao desempenho do setor um peso que vai além do resultado financeiro isolado e chega ao mercado de trabalho nas cidades onde essas franquias se instalam.
Para o pequeno e médio empresário que acompanha esse tipo de indicador antes de decidir onde investir, o semestre serve de referência. Segmentos como lavanderia de autosserviço, saúde e bem estar e alimentação mostraram que existe espaço para crescer mesmo com o crédito caro, desde que o modelo de negócio tenha estrutura pronta e baixa dependência de financiamento externo para operar no dia a dia. Antes de entrar num sistema de franquia, o caminho recomendado continua sendo o mesmo de sempre, avaliar a circular de oferta de franquia, conversar com franqueados já instalados na rede e checar o histórico financeiro da marca antes de assinar contrato.
Com informações de TrendsCE.

