Franquias faturam R$ 72,7 bilhões e crescem mesmo com juros altos: o que isso diz sobre abrir negócio agora

Empreendedorismo

Setor fecha o primeiro trimestre com alta de 10,1% no faturamento e mostra que modelos testados seguem atraindo quem quer empreender, mesmo com crédito caro

Por Redação

O setor de franquias faturou R$ 72,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025. O número chama atenção por um motivo simples: a Selic segue em patamar elevado, o crédito continua caro e, mesmo assim, o franchising brasileiro não desacelerou.

Segundo levantamento divulgado pelo Jornal do Comércio, o país fechou o trimestre com 204,9 mil unidades franqueadas em operação e cerca de 1,79 milhão de empregos diretos gerados pelo setor. É um retrato de resiliência num cenário em que outros modelos de negócio sentem mais o peso dos juros altos.

A explicação passa pela própria lógica da franquia. Ao comprar um modelo já testado, com processo definido, marca reconhecida e suporte do franqueador, o empreendedor reduz parte do risco que normalmente pesa na decisão de abrir um negócio do zero. Em um momento de crédito caro, previsibilidade vira argumento de peso na hora de decidir onde investir.

Esse movimento também aparece fora dos grandes centros. Entre os dias 28 e 30 de agosto, Curitiba recebe a terceira edição da Feira da Franquia, considerada o maior evento do setor no Sul do país. Mais de cem marcas de segmentos como alimentação, academias e eletromobilidade vão apresentar oportunidades de investimento que variam de R$ 12,9 mil a R$ 3 milhões, com mentorias incluídas na programação. O Paraná já ocupa a posição de quarto maior mercado de franquias do Brasil, sinal de que o crescimento do setor não está concentrado apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Para quem pensa em empreender agora, esses dados servem como termômetro. O crescimento do franchising em meio a juros altos não significa que qualquer negócio vá prosperar independentemente do cenário econômico. Significa que modelos com processo validado, gestão estruturada e marca já testada no mercado conseguem atravessar momentos de crédito caro com mais estabilidade do que negócios criados sem esse tipo de suporte.

Isso não elimina a necessidade de planejamento. Antes de investir em uma franquia, o empreendedor precisa avaliar o valor total do investimento, incluindo taxa de franquia, capital de giro e reformas, além do prazo médio de retorno informado pela marca e das condições do contrato de franquia. Comparar propostas de diferentes segmentos, visitar unidades já em operação e conversar com outros franqueados continua sendo o caminho mais seguro antes de assinar qualquer contrato.

O cenário atual também reforça um ponto para quem já tem negócio próprio fora do modelo de franquia: processos bem definidos, marca consistente e previsibilidade de operação são justamente os fatores que tornam um negócio mais atrativo para crescer, mesmo quando o crédito está caro. É a mesma lógica que sustenta a expansão das franquias, aplicada a qualquer formato de empresa.

Com informações de Jornal do Comércio e Portal FNT.

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