O mercado pet brasileiro segue abrindo espaço para novos nichos, e um deles começa a ganhar força com uma proposta menos convencional: o skincare animal. Fundada em 2024 pela veterinária Nathália Starek em parceria com o consultor Rodolfo Komatsu, a Vidaá surgiu a partir de uma necessidade prática e rapidamente se transformou em um negócio estruturado, alcançando faturamento de R$ 1,3 milhão já no primeiro ano de operação. A empresa aposta em uma abordagem que desafia hábitos comuns entre tutores, especialmente a frequência de banhos, e posiciona o cuidado com a pele como eixo central da saúde dos animais.
A origem do negócio remonta a 2017, quando Starek buscava alternativas para cuidar de sua primeira cadela, da raça spitz alemão. A partir de estudos em fitoterapia e aromaterapia, ela desenvolveu formulações próprias com o objetivo de reduzir a dependência de medicamentos convencionais e evitar práticas consideradas agressivas para a pele dos animais. O ponto de virada veio ao aplicar essas soluções em pacientes com alopécia que não respondiam a tratamentos tradicionais, revelando um potencial que ia além do uso pessoal.
A formalização da empresa aconteceu apenas anos depois, já com validação prática da proposta. Para estruturar a operação, Starek se associou a Komatsu, trazendo uma visão estratégica de negócios. A transição do modelo artesanal para o industrial exigiu investimento inicial de cerca de R$ 200 mil, direcionado à regularização junto aos órgãos competentes, reformulação de produtos e desenvolvimento de identidade visual. O portfólio atual conta com 14 itens, entre cosméticos e suplementos, com preços acessíveis e vendas concentradas no e-commerce.
Um dos principais diferenciais da marca está no conceito que orienta o desenvolvimento dos produtos. A proposta, definida como “animalize-se”, parte da ideia de respeitar as características naturais dos animais, em oposição à tendência de humanização. Nesse contexto, o banho frequente é tratado como uma prática que pode comprometer o equilíbrio da pele, enquanto o uso contínuo de séruns e cuidados específicos é apresentado como alternativa mais eficiente para manutenção da saúde cutânea.
Essa abordagem também se reflete na estratégia de produto e posicionamento. Itens como shampoos com menor formação de espuma e soluções de banho a seco são desenvolvidos com foco em eficiência fisiológica e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, a empresa investe em educação de mercado, buscando mudar a percepção dos tutores sobre o cuidado ideal com os pets. A lógica é simples, mas contraintuitiva: menos intervenções agressivas e mais rotina de cuidado contínuo.
Mesmo operando a partir do Brasil, a empresa já apresenta sinais de alcance internacional, atendendo clientes em diferentes países por meio da atuação clínica da fundadora. Esse interesse reforça uma tendência global de valorização do bem-estar animal e abre espaço para expansão do conceito em outros mercados. No curto prazo, a estratégia inclui o lançamento de um infoproduto voltado à capacitação de profissionais da área, além da ampliação do portfólio com novos itens em processo de regulamentação.
Mais do que vender produtos, a Vidaá busca consolidar uma proposta de reeducação do mercado. A construção do negócio está ancorada não apenas em crescimento financeiro, mas na disseminação de uma nova forma de enxergar o cuidado com os animais. Em um setor cada vez mais competitivo, a diferenciação passa a depender menos da variedade de produtos e mais da clareza de propósito e da capacidade de influenciar comportamento.
Fonte: PEGN

