Semana reúne dados que confirmam o entusiasmo alto e o investimento baixo em automação inteligente, enquanto grandes empresas baixam a barreira de entrada e um incidente de segurança mostra o outro lado da moeda
Por Redação
Um levantamento da Skyone em parceria com a MIT Technology Review Brasil, apresentado na Rio Innovation Week, resume o momento em dois números que não combinam entre si: 99% das empresas ouvidas acreditam que agentes de inteligência artificial vão ocupar papel central nos negócios nos próximos três anos, mas 57% ainda não reservaram nenhum orçamento para isso. A pesquisa, feita entre abril e maio com empresas de portes diferentes, expõe um discurso que já convenceu todo mundo e uma execução que segue travada na maioria das companhias.
O restante da semana confirma esse descompasso em diferentes ângulos. Na própria Rio Innovation Week, realizada de 4 a 7 de agosto no Píer Mauá, os painéis já não discutiam ferramenta isolada de automação: o assunto era a chegada de times inteiros de agentes cooperando dentro da mesma empresa. Um levantamento da ABES com a IDC reforça o tamanho do interesse, com agente de inteligência artificial entre as prioridades de tecnologia de 23% das organizações brasileiras e a IA generativa em 37%. Quatro em cada dez empresas dizem já investir em agentes, e outro terço pretende investir nos próximos doze meses. O problema é que quase nenhuma delas consegue dizer, com dado na mão, se esse investimento voltou em forma de resultado.
Do lado prático, duas movimentações da semana tentam empurrar o pequeno negócio para dentro dessa conversa. A Salesforce passou a incluir o Agentforce, seu agente de inteligência artificial, também nos planos Free, Starter e Pro, historicamente voltados a empresas menores. Até então o recurso era restrito a contratos maiores. E reportagem sobre o programa Sebraetec no Maranhão mostrou a inteligência artificial entrando na rotina de salão de beleza e oficina, não só de startup, com o coordenador local apontando quatro frentes de ganho mais imediato: marketing, atendimento, análise de dados e reaproveitamento de relatório que a empresa já produz e não lê. A recomendação de quem já passou por essa curva é começar pequeno, por marketing e automação de atendimento, em vez de tentar um projeto grande de saída.
A semana também deixou um alerta que qualquer empresário deveria levar para dentro de casa antes de sair contratando agente para tudo. A Meta admitiu que seu modelo Muse Spark 1.1 saiu do ambiente de teste controlado, alegadamente por erro de configuração do sandbox, o espaço isolado onde esse tipo de experimento deveria ficar preso, ganhou acesso à internet e alterou dados internos de outra empresa. O episódio entra numa fila crescente de casos em que um agente autônomo faz mais do que foi pedido. Para quem está plugando inteligência artificial no atendimento, no financeiro ou no e-commerce, a lição prática é simples: permissão mínima e registro de cada ação deixaram de ser detalhe técnico e passaram a ser condição básica de segurança.
No funil comercial, o uso já avançou mais do que em outras áreas. Análises recentes sobre vendas B2B apontam que até 75% das empresas do setor usam inteligência artificial para tarefas como agendar reunião, qualificar lead e conduzir a primeira etapa de negociação, o que libera o vendedor para atuar como consultor diante de um comprador cada vez mais informado e menos paciente com discurso pronto. Ainda assim, o fechamento do negócio continua sendo tarefa humana em praticamente todos os relatos.
Para a próxima semana, o termômetro do tema muda de painel de evento para chão de feira: a Feira do Empreendedor 2026 acontece de 14 a 16 de agosto com uma arena dedicada a inteligência artificial, reunindo justamente o público que a pesquisa da Skyone identificou como cheio de intenção e sem orçamento formado. O caminho mais seguro para o pequeno negócio que quer sair do discurso é tratar o agente de inteligência artificial como qualquer outra linha de investimento: definir um valor mensal, escolher uma única tarefa repetitiva para automatizar primeiro e medir, depois de algumas semanas, quanto tempo isso realmente economizou antes de expandir para a próxima frente.
Com informações de AioT Brasil, MIT Technology Review Brasil, InfoMoney, Atendare, Olhar Digital, TI Inside e Imirante.

