Depois dos 60, a experiência de mercado começa a somar com a inteligência artificial

Empreendedorismo

Sebrae reúne especialistas em seminário nacional e coloca empreendedorismo sênior e adoção de IA como duas frentes que crescem juntas no país

Por Redação

O empreendedorismo depois dos 60 anos ganhou um capítulo novo nesta semana. No dia 16 de setembro, o Sebrae promoveu, em formato on-line, o principal seminário anual sobre empreendedorismo do país e colocou lado a lado dois temas que até pouco tempo pareciam distantes: a adoção de inteligência artificial por negócios em fase inicial e o crescimento de pessoas acima de 60 anos abrindo empresa própria.

O encontro apresentou dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor referente ao período 2025 e 2026, um dos principais retratos do empreendedorismo brasileiro, e reuniu especialistas para discutir o que essas duas tendências têm em comum. Também foi lançado um livro dedicado ao assunto, além da apresentação de casos reais de empreendedores que uniram experiência de décadas de mercado a ferramentas de inteligência artificial hoje acessíveis a qualquer negócio pequeno.

A leitura do Sebrae aponta para um movimento duplo. De um lado, uma geração que passou boa parte da vida trabalhando em empresas ou em profissões tradicionais decide empreender depois da aposentadoria ou em busca de uma nova fonte de renda. De outro, ferramentas de inteligência artificial que antes exigiam equipe técnica especializada se tornaram simples o suficiente para caber na rotina de quem nunca programou uma linha de código.

Na prática, isso significa que a experiência acumulada ao longo de uma carreira, o conhecimento de um setor, a rede de contatos construída e a capacidade de lidar com cliente deixaram de ser suficientes sozinhas, mas também deixaram de precisar competir contra a tecnologia. Elas passam a se combinar com aplicativos de gestão financeira automatizada, assistentes de atendimento e geração de conteúdo para redes sociais, recursos que reduzem a barreira de entrada para quem está começando um negócio mais tarde na vida.

Para o dono de pequeno negócio, o recado prático é direto: o momento de vida deixou de ser motivo para adiar ou descartar um projeto próprio. Quem já passou dos 60 anos carrega um ativo que poucos empreendedores mais jovens têm, a vivência de já ter visto o mercado passar por diferentes ciclos econômicos. Combinado a ferramentas de inteligência artificial acessíveis, esse conhecimento pode se transformar em vantagem competitiva real, e não apenas em currículo.

O tema também sinaliza para onde a rede de apoio ao pequeno negócio deve direcionar atenção nos próximos meses. Eventos como o promovido pelo Sebrae costumam anteceder o desenho de novas linhas de crédito, programas de capacitação e conteúdo educativo voltado a públicos específicos. Quem empreende ou pensa em empreender depois dos 60 anos, e também quem já usa ou pretende usar inteligência artificial no dia a dia do negócio, tende a encontrar nos próximos meses mais material de apoio direcionado a essas duas realidades.

Vale reforçar que o uso de inteligência artificial no pequeno negócio não exige domínio técnico nem grandes investimentos iniciais. Ferramentas de geração de texto, organização de agenda, controle financeiro simplificado e atendimento automatizado já funcionam em versões gratuitas ou de baixo custo, o que reduz a distância entre a boa ideia de negócio e a execução, independentemente da idade de quem empreende.

O caminho sugerido pelo próprio evento é o de testar aos poucos: escolher uma única tarefa repetitiva do negócio, buscar uma ferramenta de inteligência artificial que resolva especificamente esse ponto e só depois expandir o uso para outras áreas. Essa combinação entre experiência de mercado e tecnologia acessível aparece como uma das tendências que devem marcar o empreendedorismo brasileiro nos próximos anos.

Com informações da Agência Sebrae de Notícias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *