Reforma Tributária muda o calendário e antecipa para setembro a escolha de regime que vai pesar no caixa do primeiro semestre de 2027
Por Redação
Empresas do Simples Nacional têm até o fim de setembro para tomar uma decisão que vai pesar direto no caixa do primeiro semestre de 2027. Com a Reforma Tributária, a janela para trocar de regime de pagamento de imposto deixou de abrir em janeiro e passou a abrir em setembro, um ano antes de valer. Quem perder o prazo ou escolher errado não tem como corrigir a rota até junho do ano seguinte.
A escolha em jogo é como a empresa vai recolher o IBS e a CBS, os dois novos tributos que substituem parte do sistema atual. O empresário pode manter os dois impostos dentro da guia única do Simples Nacional, do jeito simplificado que já conhece, ou optar por recolher separadamente, pelo regime regular. Essa decisão vale para o período de janeiro a junho de 2027 e, uma vez feita, não pode ser revertida antes do fim desse prazo.
Existe ainda uma terceira porta, batizada de Simples Nacional Híbrido, com janela própria de adesão. Ela mistura elementos dos dois formatos e serve para negócios que não se encaixam bem nem na guia única tradicional nem no regime regular completo, mas depende de avaliação caso a caso para saber se compensa.
O ponto de atenção é que a conta não é igual para todo mundo. Depende do perfil da empresa, da cadeia de fornecedores e clientes, do volume de crédito tributário que ela consegue aproveitar e do setor em que atua. Uma escolha que reduz imposto para um comércio pode significar pagar mais para um prestador de serviço, e o efeito só aparece na prática, na guia do mês seguinte.
Quem compra insumo de fornecedor que também recolhe IBS e CBS separadamente, por exemplo, tende a aproveitar mais crédito tributário ficando fora da guia única, porque consegue abater o imposto pago lá atrás. Já quem vende direto para o consumidor final, com pouca cadeia de fornecedores formais, costuma sair ganhando ao manter tudo dentro do Simples. Não existe resposta pronta, e é justamente por isso que a decisão exige simulação com números reais, não intuição.
É por isso que contadores estão tratando setembro como um mês de decisão, e não de rotina. Diferente do que acontecia até aqui, quando a troca de regime era feita em janeiro, com o ano já em curso e menos margem para simulação, agora a antecedência de quatro meses existe justamente para dar tempo de rodar cenários antes de assinar a opção.
Para o pequeno empresário, a recomendação prática é simples: procurar o contador ainda esta semana, pedir uma simulação comparando os dois caminhos com os números reais do negócio e não deixar a decisão para os últimos dias do mês. Quem trabalha com margem apertada sente qualquer diferença de alíquota rápido, e um erro nessa escolha se arrasta por seis meses sem chance de ajuste.
O momento também pega o pequeno negócio em meio a outras mudanças no ambiente de crédito, como o aumento recente do teto do Pronampe, o que reforça a importância de fechar setembro com o planejamento tributário de 2027 já definido, e não deixado para depois.
Com informações de Adição Contábil.

